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Uma Pequena Espanhola Pequetita
fisicamente, em seu metro e cinqüenta, pouco mais ou menos. Óculos de
lentes grossas, um semblante sério e amedrontador, quanto enfurecida,
ou o sorriso mais doce que já vi, quando encantada. Logo
que ela foi para o asilo, com oitenta e quatro anos, nós fizemos
amizade; parece que nossas auras se tocaram. Dentre as primeiras coisas
que me contou foi que o seu primeiro namorado (lá na Espanha, bem antes
da segunda guerra) também se chamava Carlos. Naquela
época, lá no asilo, as mulheres mais saudáveis se reuniam em um terraço,
e nós ficávamos ali, conversando e brincando. Uns dois anos após, por
conta de uma reforma (que nunca termina) elas foram transferidas para
outro pavilhão e permanecem meio isoladas, umas das outras. Na pequena
saleta onde se reúnem nos dias de visita (cabem umas seis internas)
havia duas lúcidas, apenas: Dona Sarah e D. Eméria (a minha
espanholita). Dona Sarah partiu no dia seguinte ao Natal passado e, com
isso, D. Eméria ficou sozinha. Eu
tenho tido pouco tempo para conversar com ela, por conta do grande número
de internos e do maior tempo dedicado a meu amigo Raimundo mas, ontem
acabei me estendendo na permanência junto a ela, pois me contava de um
pedido seu, feito ao Mestre Jesus e que fora prontamente atendido (é
uma linda história que eu conto depois, se ela me permitir).
Depois,
resolveu falar sobre uma pergunta que lhe fizera o presidente da
entidade, logo que ela ali se internou. Cada
pessoa que se interna no asilo, deve transferir à entidade, os seus
proventos e a D. Eméria recebe duas aposentadorias, vindas de fora do
país - segundo ela, em dólares. Em razão dessa condição
privilegiada (em matéria de assistência financeira) o diretor ficou
curioso por saber as razões de ela, com bastante idade e sem família,
haver escolhido o Brasil para viver os seus últimos anos. Sua
resposta será transcrita da mesma maneira como ela se expressou, numa
mistura de português e espanhol, que é seu idioma atual. -Escolhi
Brasil porque és um país abençoado. Una
tierra adonde reina la paz e la hartura naturales. Se este país tuviera
un gobierno honesto, seria el primero del mundo! Bem,
quando ela me contou isso, eu fiquei imaginando se o ato de me contar
esse fato, logo agora, seria por causa de todas as imoralidades impunes
que arrasta atrás de si a nossa história ou teria sido pela mais pura
coincidência sobre o resultado de notícias recebidas, a respeito do
novo Ministro dos Transportes e a desculpa “esfarrapada” do atual
chefe da Casa Civil da Presidência da República, sobre o assunto “requentado”. Sobre
esse último parágrafo eu digo: -
Quem diria, hein?
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| Carlos
Gama. “”
www.suacara.com”
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20 de janeiro de 2003 – 21:22 h
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