Sampa 
(Parte final de letra, apenas.)


Autoria: Caetano Veloso 





Porque és o avesso do avesso, do avesso, do avesso.

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas.

Da força da grana, 

que ergue e destrói coisas belas.

Da feia fumaça, que sobe apagando as estrelas, 

eu vejo surgir teus poetas, 

de campos, espaços, tuas oficinas de florestas, 

teus Deuses da chuva, 

Panaméricas de Áfricas utópicas, 

TÚMULO DO SAMBA, mais possível novo, 

Quilombo de Zumbi, 

e os novos baianos passeiam na tua garoa, 

e os novos baianos te podem curtir numa boa....

 


Letra obtida através de: " http://www.musicasantigas.mus.br/"
A seu titular, Ílnio de Mello Franco (incansável divulgador da música popular brasileira), dedico esta página.

 

 

Mesmo dizendo ser uma visão diferente daquela do primeiro momento, mestre Caetano desafinou nos termos e na exposição de sua impressão sobre São Paulo. 
"Remendou" recentemente o espaço puído onde pintou São Paulo como Túmulo do Samba. Foi um trabalho quase perfeito, bem intencionado, bem disfarçado,  mas ainda assim um remendo.
Leve-se em conta que (ou dê-se o desconto) era uma fase  de transição, onde o poeta ainda não havia se definido entre ser baiano ou um novo carioca.
De qualquer forma, ele trazia ainda consigo o encantamento com as praias de sua terra de origem e, depois de um estágio na deslumbrante e eterna capital do Brasil, via o coração de São Paulo talvez mais acinzentado que a própria realidade, e nem sequer percebeu que o povo era menos oprimido que nas terras de onde migrou, que as favelas eram iguais ou menores que tantas outras existentes pelo país afora. Um país tão imenso, quão imensos são os contrastes criados pela ganância, pela estupidez e pela indiferença do homem. 
E se não sabia, vai saber agora


que não existe deselegância na mulher brasileira,
à qual não se iguala nenhuma gringa, 
pois ela tem uma elegância que nasce na própria ginga,
seja ela paulista, carioca ou mineira.

Mas, passada essa primeira fase, ele descobre o que o mundo já conhecia: Adoniran Barbosa,  Paulo Vanzolini, Paulinho Nogueira, Lúcio Cardim  e outros tantos excelentes criadores e intérpretes paulistas,  da mais legítima música popular brasileira.
É aí, nesse pedaço, que a gente releva o tropeço do poeta e lhe apresenta também as nossas praias, tão belas quanto todas onde o mar se espraia, do sul ao norte deste nosso Brasil.
Tropeços à parte, seja sempre bem-vindo, como todos o são e sempre foram, neste imenso coração de mãe que é São Paulo.

 

 

Melodia de fundo: Sonho Azul (autoria e execução Maestro Almir Clemente)

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