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Mais
uma situação quase vergonhosa suprime um pouco mais do respeito devido ao povo
brasileiro, cuja maioria vota com consciência e expectativas de mudança. Em
tempos nos quais se fala em fome zero, neste abençoado país da fartura
é, no mínimo estranho que esbanjemos verbas que, claramente, são um
golpe contra o patrimônio público. Nos tempos longos, em que se
discute a impossibilidade de reajustes ínfimos para o aviltado salário
mínimo, nossas autoridades legislativas concedem-se mais um aumento. Não
bastasse o acintoso reajuste dos salários em 50% (logo após as eleições),
agora vem o reajuste da “Verba Indenizatória” em mais de 70%. Essa
tal verba, que será de 12 mil reais mês, é para ser usada no
pagamento de despesas de escritórios políticos que os parlamentares
“porventura” mantenham em seus estados de origem. É,
realmente é para lamentares! Para
suplementar os baixos salários que recebem (12.700 reais), os nossos
legisladores pretendem aumentar a “verba de gabinete” de 25 para 35
mil reais. Pretendiam aumentar também - mas houve quem alertasse para o
despudorado abuso - o “auxílio moradia” de 3 para 5 mil reais mês. Isso para aqueles
que não ocupam um dos 432 apartamentos funcionais, dos quais 190 estão
desocupados devido ao mau estado de conservação. Essa
situação quase vergonhosa poderia ser resolvida com algumas medidas
simples: Todos
os reajustes, em quaisquer salários ou verbas complementares, pagos pelos
cofres públicos, não poderiam exceder o percentual concedido ao salário
mínimo. Se, por algum “milagre coincidente”, o salário mínimo fosse
reajustado, em índices que extrapolassem o bom senso ou os
"manipulados" índices de inflação, os salários maiores
receberiam correções com percentuais proporcionalmente decrescentes. Os
apartamentos funcionais deveriam ser em número igual ao número de
parlamentares no exercício da função. Os imóveis já existentes
deveriam passar por urgente reforma, de maneira a poderem abrigar
condignamente os seus ocupantes. Extinguir-se-ia o auxílio moradia pago em
espécie, exceto em casos excepcionalíssimos e temporários, durante
alguma obra emergencial. Para
toda essa situação a palavra correta seria “vergonhosa” - se
vergonha houvesse. Carlos Gama.www.suacara.com 29
de janeiro de 2003 – 12: 33 hs
*Essa
matéria foi enviada a vários diários, mas acabou sendo recusada. Os
quarenta dias que se passaram, desde o envio, fizeram com que algumas
alterações de conteúdo ocorressem. O pior da história é que só dá para lamentares!
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