Prostituição e Caftinagem

 

 Essas duas atividades são quase tão antigas quanto a existência do homem sobre a face da terra.

A segunda talvez seja ainda mais antiga que a primeira, pois a exploração do semelhante está arraigada na alma, e na ausência de caráter de alguns de nossos “semelhantes”. 

A prostituição explorada por terceiros, devido ao seu grande interesse pecuniário, acabou se transformando em uma instituição protegida pelas normas. Criou-se, em verdade, uma reserva de mercado* para ela, pois o estado faz vistas grossas, para a ilicitude do ato, quando quem a explora pertence a determinados grupos de “pessoas”.

A caftinagem, entretanto, não fica restrita à exploração do lenocínio. Existem seres, que sobrevivem social e economicamente, à custa da exploração da imagem e do trabalho do vizinho e, por conta, algumas vezes da cegueira mental e moral daqueles a quem o status social do proxeneta cega, por pura conveniência.

Um exemplo clássico da imagem acima é o respeito e o afago social que recebem os grandes marginais de terno e gravata. Aqueles que, na atividade pública ou privada, vivem e sobrevivem à custa de exploração do ato ilícito, por conta do silêncio ganancioso dos interesseiros e da boa fé de alguns poucos mais crédulos.

A evolução lenta e natural da alma humana, embora desejável, jamais conseguirá mudar esse quadro, pois à medida que ocorre a evolução e a conseqüente mudança de nível, novos integrantes virão preencher as vagas deixadas no curso primário, por conta da promoção natural dos mais esforçados

 

Carlos Gama. www.suacara.com

 

28 de janeiro de 2003 – 13,31 hs

 

 

* Essa “reserva de mercado” não fica restrita somente à prostituição e à caftinagem, inclua-se aí, também o jogo clandestino e o tráfico de drogas.

 

 

Música de fundo: Se Todos Fossem Iguais a Você. Autoria de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
(Basta imaginá-la!)

 

 

O Punguista