O Tiro Pela
Culatra
Está
bem próximo, o dia em que pude assistir ao desmantelamento de uma imagem de
arrogância e soberba.
Todo
o ser arrogante e pretensioso tem o seu dia de “ser caça”. É o castigo
vindo pelas próprias mãos ou pelas próprias atitudes, muitas vezes,
impensadas.
Vou
fugir, em princípio, ao tema original, para algumas explicações dirigidas,
especialmente, às mulheres.
Vocês,
seres mais doces, não estão habituados a certas terminologias, pouco comuns e
que não fazem parte de seu dia a dia. Já, o homem convive com elas, ao menos
em uma determinada fase de sua vida, no pós-adolescência, quando são levados
ao contato com armas de fogo, nos
quartéis.
Culatra
tem como significado mais comum, dentre outros: a parte posterior do cano de uma
arma de fogo.
Pressupõe-se,
sempre, que o projétil disparado saia pela “boca” da arma, indo de encontro
à vítima ou objeto a ser atingido. Ocorre, porém, que algumas vezes, dá-se o
contrário e, por razões fortuitas, o disparo sai pelo lado oposto, atingindo o
caçador, ocasionando, na maioria das vezes, efeitos desastrosos.
Nos
meus tempos de menino era muito comum à criançada e, principalmente aos
adolescentes, a tentativa de construção de armas de fogo, de pequeno alcance;
eram as chamadas “ronqueiras”, responsáveis por muitas cegueiras e outros
danos sérios, no rosto e nas mãos dos inconseqüentes moleques daqueles
tempos. Pois bem, é esse mais um exemplo dos tiros pelas culatras, resultado da
falta de previsibilidade e do desrespeito que o ser humano possui, por si próprio
e pelo semelhante, em estado latente.
Geralmente,
no caso dos seres arrogantes, o tiro pela culatra é o resultado da impressão
que possuem sobre sua posição na sociedade humana;
sentem-se inatingíveis, espertos em demasia e, por aí vão, séries de hipóteses
sobre o comportamento do homem.
Há
alguns dias, depois de encaminhar um lindo poema que tinha vindo até mim através
de amigos, recebi uma mensagem furiosa, via Internet. Uma mensagem
grosseira, enviada por pessoa mal educada e arrogante. Dizia ele que, se eu
enviasse mais um e-mail para aquele provedor,
tomaria medidas drásticas:
Iria me colocar na lista negra do registro.br, trazendo muitos infortúnios.
Frisou que aquele seria o último aviso.
Fulo
de raiva, com a arrogância do sujeito, escrevi uma resposta agressiva e cheia
de adjetivos pouco recomendáveis. Essa é uma das vantagens de quem escreve;
você extravasa a fúria e se acalma um pouco, depois, repensa e reescreve o
texto anterior.
Na
resposta que lhe enviei, eu disse que havia sido solicitado apenas uma vez, que
eu retirasse de minha lista os e-mail que contivessem aquele provedor mas, que,
ao invés de ser mal educado, me dissesse qual o endereço que continha o tal
provedor. As pessoas que constavam da relação, além dos meus amigos, eram
aquelas que me enviavam mensagens e
eram, automaticamente, adicionadas a ela.
A
resposta foi mais amena mas, ainda assim, arrogante. E, através dela,
mencionava os possíveis nomes que continham aquela sigla de provedor e
solicitava a retirada deles, de meu rol de endereços.
Respondi,
que ficasse tranqüilo pois eu iria retirar os possíveis nomes que ali
estivessem. Mas, aproveitava, como leigo, para perguntar a ele (webmaster), por
que razão, as mensagens enviadas a outras pessoas iam parar em sua caixa de
correspondência.
Daí,
ele me informou que eram e-mails que havia disponibilizado para antigos funcionários
de sua empresa mas que não mais
faziam parte do quadro e, portanto, as mensagens eram redirecionados para a sua
caixa de correspondência.
Procurei
os endereços, encontrei, e voltei a enviar-lhe uma mensagem.
Nela,
eu dizia haver encontrado o endereço “X” e que era usado para me enviar
lista com preços de produtos e serviços. Perguntei-lhe, então, se eram de sua
empresa.
Você
me respondeu?
Nem
ele!
Carlos Gama. www.suacara.com
13
de setembro de 2001 – 21:43 h