O Que Terá Acontecido?

 

 

Conseguimos trocar um governo de terno e gravata, que estava levando o país ao fundo do poço, por outro, de pá e picareta, que simboliza mais empenho, trabalho e representa novas perspectivas.

Conseguimos mudar, também, o nosso comportamento, em alguns outros aspectos, de maneira surpreendente.

Ontem eu pude observar que evoluímos em matéria de respeito próprio - até em relação às nossas economias - quando me deparei com as prateleiras abarrotadas, de um supermercado, com um produto que, talvez em função desse fato, teve seu preço revisto.

É uma observação simples, que irei relatar para que prestemos mais atenção ao que ocorre conosco, ou ao nosso redor, e as atitudes corretas que podemos tomar, para melhorar o mundo em que vivemos.

Quando, em função de algumas aleivosias oficiais e propositais, o valor das moedas estrangeiras começou a aumentar desmesurada e inexplicavelmente, os preços ao consumidor, da maioria dos produtos, também disparou pelo mesmo caminho.

Nada de assombroso, porque os especuladores enriquecem, dessa maneira, sustentados pelos néscios.

Costumava consumir, na época mais fria deste ano, um vinho nacional, não de exportação e, por cuja garrafa pagava R$ 2,78, na maior rede de supermercados do país. Depois das trapalhadas oficiais e do aumento do valor das moedas estrangeiras, o preço da garrafa desse vinho foi reajustado para R$ 4,87 – em uma só tacada. As semanas transcorriam e foram várias as vezes em que pude constatar, que o referido produto tinha seu preço mantido nesses patamares, foi aí que, ontem, para minha surpresa vi as mesmas prateleiras ainda abarrotadas de vinho mas, em oferta, ao preço de R$ 3,87.

Será que estamos, mesmo, começando a impor a nossa personalidade e aprendendo a valorizar o dinheiro que nos custa o suor e a saúde? Será que estamos, verdadeiramente, deixando de lado a desarrazoada vergonha de exigirmos o que é nosso, e os nossos direitos?

Nem sempre! E um claro exemplo desta nossa inércia, são as lojas que apregoam seus produtos ao preço de R$ 1,99 e, ao final, não têm R$ 0,1 (um centavo para dar como troco) e maioria (quase a totalidade) dos consumidores não exige o troco a que tem direito, e o faz por comodismo ou, quando é pior, por vergonha e ausência de respeito próprio.. 
Sobre isso eu digo:
-É pura falta de vergonha, essa pretensa vergonha de exigir o que é seu.

Se o shampoo que você usa (como fizeram com aquele mais popular, que não sei se você prefere a cor ou ama babosa) teve o diâmetro do orifício duplicado, fazendo com que você, inadvertidamente, gaste o dobro de material, mude de marca; compre, por exemplo, o Elsève “Citrus”, que é mais denso e tem o orifício da embalagem menor.

Ah! Mas eles, agora, também mudaram a embalagem, reduziram em 20% a quantidade do produto e aumentaram, nesses últimos dias, o preço em quase oitenta por cento? 

Abandone essa marca, e saia em busca de outra que tenha respeito ao consumidor.

Somente quando essa forma de agir for parte integrante da personalidade da maioria do povo, conseguiremos ser respeitados e valorizados por aqueles que sobrevivem à custa daquilo que consumimos.

Aquela latinha de cerveja que esteve, ás vésperas do Natal, em torno de R$ 1,00 - na maioria dos supermercados - e que eu e você não compramos, agora está em "oferta", ao preço de R$ 0,63.

Todos devem lucrar mas, com consciência e respeito ao consumidor!

Os primeiros passos foram dados, os primeiros exemplos mostram o resultado, portanto vamos em frente porque, de nossa consciência depende o nosso futuro.

 

Carlos Gama.

28 de dezembro de 2002

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