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O
Momento
O país talvez esteja vivendo, agora, o seu melhor momento dos últimos
quinhentos anos.
Provavelmente dirão que é uma afirmativa louca ou uma utopia, mas se
analisarmos alguns pontos importantes, talvez venham a aceitar essa
assertiva.
O cidadão, na atualidade, tem conhecimento dos acontecimentos e de
alguns fatos concretos (muito poucos, talvez, mas ainda assim úteis),
tem também a consciência de que é a parte mais importante de todo o
sistema, pois é a sua base e sustentação. Mas está acuado, com medo
do hoje e sequer sabe se terá um amanhã, e isso faz com que não
perceba ou não queira admitir que o sistema é cego, surdo e mudo e por
essas razões não age se não for sacudido pela base que ainda
permanece inerte e silenciosa.
O momento de mudar o quadro é agora, quando o mais humilde ou o menos
esclarecido descobre que mesmo as mais altas autoridades são humanas e
falíveis, quando fica ciente que um juiz pode vender sentenças e a própria
alma ao diabo. Quando, entristecido e incrédulo, toma ciência,
publicamente, que a punição máxima para um infrator desse nível é a
aposentadoria. Um acontecimento que, para si, depois de décadas de
trabalho e contribuição previdenciária é chamado de benefício (um
prêmio pela assiduidade ao trabalho e pela constância nas contribuições
financeiras que lhe garantirão esse benefício), mesmo que seja
esbulhado na hora de receber o tal prêmio. Momento em que ele descobre
que aquele em quem ele votou para representá-lo está bandeado para o
lado de interesses diversos dos seus e de todo o povo (um mero vendilhão
que não mereceria mais que a chibata).
Enquanto os “falsos” representantes atuam, o homem comum vai tomando
ciência de seus desmandos: O pretenso representante divino vende perdões
e benesses celestes, o representante da justiça terrena negocia a
impunidade e aqueles que deveriam representar o estado fazem a
representação daqueles que lhes encarceram o moral e a pouca dignidade
que lhes resta.
Hoje, o cidadão comum tem ciência dos fatos (mesmo que incompletos,
muitas vezes) e dos atos que se praticam na área pública ou na
privada, e isso faz com que o momento seja o mais adequado para
participar e opinar com mais consciência.
Todos
os momentos são únicos e só permanecem na memória.
Carlos
Gama.www.suacara.com
15
de novembro de 2003 – 13:32 hs
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