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O Infernal Continuo insistindo com vocês que o meu amigo é um artista excepcional. Ainda no sábado passado, anteontem, ele deu mostras dessa sua habilidade. Era dia de churrasco e estávamos na calçada - defronte o Recanto do Santão - batendo um papo; meu filho, o Marquinhos e eu. De repente tenho a impressão de ter vislumbrado, por entre o alambrado que separa o parquinho infantil, da praia, um vulto que se assemelhava ao Magrão. Mesmo em dúvida, porque ele não deveria estar vindo por ali, resolvo esperar que o vulto ressurja, no final da cerca e, com a visão limpa possa confirmar a impressão. Eis que surge um casal de jovenzinhos e, logo atrás, o Magrão, com a sua mochila às costas, imitando o rapaz que acompanha a jovem. Igualzinho, nos trejeitos, no andar e, até nas expressões do rosto, como se ele os estivesse vendo. Parece inacreditável, mas é a mais pura verdade. Eu não sei como pode acontecer isso, especialmente o imitar das impressões faciais, sem as estar vendo. Chamei a atenção dos meus acompanhantes, já com o riso aflorando e descambando para as gargalhadas. Ele é fenomenal! Interrompe a caminhada, quando chega ao nosso lado e imitando uma “bicha” diz: -Ufa! Que canseira. Meninas, vocês nem sabem... – passa a mão pelos cabelos e, por aí termina a encenação. -Gente, eu vinha atrás do casalzinho, agoniado, na maior expectativa, esperando o rapazinho partir para a resposta mas, que nada – diz ele. A guria vinha com esse papo pra cima dele: -Meus pais foram viajar e me deixaram sozinha. É a maior canseira, ter que cuidar do apartamento, cozinhar...E a solidão, então, insuportável. Aí, o trouxa, quando eu penso que ele vai se oferecer para ajudá-la a arrumar a casa ou lhe fazer companhia, ouvir umas músicas ou qualquer outra coisa que eu diria; me sai com essa: -Eu sei o que é isso; no ano passado a minha mãe viajou e eu fiquei na mesma situação. -Ah,
meus vinte anos! Naquele tempo não surgia uma moleza dessas – diz
ele. -Bem, meninas...Vou indo que preciso lavar meu soutien - depois de um longo suspiro, sai rebolando, completamente atacada, fingindo que vai embora.
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| Carlos
Gama. www.suacara.com
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28 de janeiro de 2002 – 17:59 h |