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Mesa
Redonda.
( Escrito durante uma das muitas longas esperas, na ante-sala do
Subdelegado Regional do Trabalho em Santos ).
-Bendita a mesa do Subdelegado Regional do Trabalho !
Toda a vez que se o procura, é a invariável resposta:
-Está em mesa-redonda. .
-É sinal de que ele não está em seu gabinete. Até porque, naquela
sala enorme (é um salão) a mesa de granito - também enorme - é
retangular.
Assíduo freqüentador ( diarista, quase ! ) daquela dependência, por
necessidade, nos últimos dois anos, conheço cada canto da Delegacia do
Trabalho. E em seus dois andares, não existe nenhuma mesa redonda.
Em desespero de causa, já o procurei por bares, restaurantes, casas de
carteado e até boates.
Quando encontro uma mesa redonda, ele não está.
Em minha última tentativa, acabei por encontrar, na casa de uma cigana,
uma mesa redonda e sobre ela, uma imensa bola de cristal. Isso reacendeu
minhas esperanças.
A cigana, por incrível que pareça, tinha ares honestos e resolvi
arriscar uma última cartada em busca da tal mesa redonda e do Delegado;
é claro.
A cara de honesta podia não dizer nada . Tenho sido ludibriado por
gente com mais cara de honestidade que a dela e estes, ainda tentam me
convencer de que está tudo dentro da legalidade.
Honesta ou não, debruçou-se sobre a dita bola e disse, depois de muita
procura, não ter conseguido encontrar nada . Por fim acabou por
perguntar-me : "será que existe mesmo ?"
Saí de lá, tão desarvorado que acabei por esquecer de perguntar a
ela, se aquela expressão "será que existe mesmo" ?
referia-se à mesa redonda.
Mas, deixa isso pra lá . Tenho uma idéia melhor !
-Vamos dar uma mesa redonda pro Delegado ?
-E qual é a vantagem ?
-Bem ! Havendo lá dentro uma mesa redonda, sempre restará a esperança
de que ele ali esteja e você possa ser recebido nas próximas horas.
Ou, a qualquer hora, nos próximos meses, ou...
PS:
Mais difícil que este
"Monarca" e sua "Távola Redonda", somente a minha
requerida certidão, tão ao alcance quanto a lua.
Carlos Gama.
O plano de fundo é
uma ampliação da charge de autoria de Vittorio Queirolo. Pintor e artista plástico
nascido no Chile em 30 de novembro de 1936 e falecido em Santos no dia
28 de agosto do ano de 2001.
Desenho
original
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