Dona Nena, a Nonna

 

Fazia tempo que você não ouvia falar dele, não?

Pois é, demos um descanso ao nosso amigo, mas hoje ele volta e pretendemos mantê-lo em cena, com mais algumas de suas histórias.

Hoje, talvez, ela não esteja mais entre nós, porque o Magrão está de cabelos brancos e a diferença de idade entre eles era bastante grande. Naquele tempo, entretanto, ele sempre a levava a um pequeno passeio ou, até mesmo às compras, naquele fusca com rodas de tala larga, rebaixado e de escapamento aberto.

Nesse dia, de que nos lembramos agora, a nonna queria ir a uma loja lá pelas bandas do Itaim e o Magrão, sempre solícito e simpático se prontificou a lhe atender o desejo, apesar dela estar meio gripada, com o peito “carregado”.

Era sábado, quase meio-dia, perto do Natal e o trânsito não estava sopa, não.

Iam devagar, conversando e a nonna contando uma porção de histórias dos tempos idos, histórias que o Magrão já escutara umas tantas vezes, mas que procurava dar mostras, sempre, que eram novidades para ele.

Estavam parados num semáforo, quando Dona Nena teve um forte acesso de tosse, que acabou por lhe limpar a garganta, deixando entretanto uma grande quantidade de muco, na boca. Ela abriu a janela, olhou para o lado, para trás - não vinha vindo ninguém – e aproveitou para se livrar do incômodo material.

O Magrão só ouviu o “plac”, lá no asfalto e, depois, a velhota abrindo rapidamente a porta do carro, por onde começou a descer. O sinal acabara de abrir e o Magrão ficou desesperado, com a possibilidade dela ser atropelada. Desceu correndo, bem a tempo de parar o trânsito, salvar a vida da nonna e os seus dentes de cima.

Carlos Gama. www.suacara.com

 

11/12/2008 21:19:48


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