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Puta que os pariu!

Penso, enquanto minha testa lateja de raiva e impotência.

Impotência, sim! Quem leva a vida como cidadão (tomando no rabo) e sem conseguir ver outra imagem que não seja a mesma de sempre, se perpetuando no poder, se sente um impotente. Que merda! Vai continuar o PFL a dar ordens?

Puta que os pariu!

A todos aqueles que votam de rabo preso, sem raciocinarem ou, apenas, por interesses pessoais e mesquinhos.

Puta que os pariu!

A todos aqueles que se calam, se acomodam e se acovardam.

Puta que os pariu!

A todos aqueles que ocupando cargos na esfera pública e, por razões inúmeras, se omitem, sem sequer se envergonharem.

Puta que os pariu!

A todos aqueles que deveriam fiscalizar contratos (para isso recebem e, geralmente, muito bem) espúrios ou não, de concessão de exploração de serviços públicos e não o fazem. Puta que os pariu!

Vocês podem dizer que os termos são chulos, de baixo calão mas, hoje, eu quero que se fodam as opiniões alheias e as possíveis conseqüências desse meu desabafo. Quem não quiser, que não leia.

Mas, mesmo assim, vou justificar ou tentar explicar um pouquinho daquilo que me leva a escrever estas poucas e pornográficas linhas.

Estou com uma gripe danada, já faz alguns dias. O corpo quebrado e o ânimo alquebrado, também. Mas, isso é problema meu! Digo isto, antes que aquele juiz, que julgou e negou o pleito dos dois aidéticos, venha dizer que: “Todos somos mortais. Mais dia menos dia, não sabemos quando, estaremos partindo, alguns, por seu mérito, para ver a face de Deus, isto não pode ser tido por dano”.

O que eu quero dizer é que, quando estamos fisicamente abatidos, existe uma predisposição natural para observar a vida em seus aspectos negativos. Mas, nem por isso menos reais.

Ao contrário de alguns metrôs, como o daquele país do qual imitamos tudo o que não presta, o da cidade de São Paulo sempre primou pela limpeza, pela organização e pelo aspecto impoluto de suas estações, instalações e seus veículos.

Aí você se depara, sem que pudesse imaginar, com uma composição escura, feia e com aspecto de sujeira, chegando à estação.

Haja humor!

Observa atentamente e começa a fazer as suas conjecturas. Afinal, toda aquela composição pintada daquela forma e com aquele mau gosto, só poderia ser resultado das “concessões”, das “mamatas” e das “mamadas”.

Tem gente que tem a mania de dizer que eu tenho uma visão cítrica, mas, vamos lá.  Querem caminhar comigo, por entre os limoeiros que povoam a minha mente?

Esta empresa...

Qual?

A mesma que comete toda a sorte de desmandos e abusos contra os usuários de serviços de telefonia e ninguém consegue que os “responsáveis” pela fiscalização (risos) tomem qualquer medida coibente.

Já azedo, chega-se ao final da linha em busca de uma passagem de ônibus que leve a Santos.

O relógio marca 11:48 h. e a passagem que lhe vendem é para as 12:15 h. Que diabos! - pensa você - Com tanta pressa e ter que esperar quase meia hora.

Mas, tendo em mãos algo de bom para ler, sempre são minimizados os dissabores da espera. Compra-se umas balas e vai-se ao banheiro...

O quê? Ter que pagar um adicional que equivale a 15% da tarifa do ônibus intermunicipal, só por uma mijada?

É, isso mesmo! R$ 1,00 para desaguar a bexiga.

Porra! E os R$ 0,59 da taxa de embarque?

Sei lá! Quem deveria saber disso não está nem aí e o povo, capacho, paga, se cala e depois elege esses mesmos dejetos que aí estão.

Assalariado não tem direito à micção e, se fizer isso à moda canina (no poste), vai se haver com o representante da lei.

A saída é dar um nó na pingola, para quem pode. Quem, não tem para isso, o melhor é arrumar um barbante, uma fita e amarrar a “coisa” para não verter sem querer ou, querendo e sem controle...

Bem, não vou contar qual foi a saída que arrumei. Mas, acabei me sentando confortavelmente em um daqueles “refresca rabo” bancos de concreto, saquei do livro “As Crônicas dos Anjos de Prata” com o qual me presenteou a Ana Luísa e retomei a leitura, interrompida ao final da viagem no Metrô.

Alguma coisa me distraiu do conteúdo daquelas linhas e eu olhei para o relógio; eram doze horas, em ponto. E o tal ônibus prestes a partir.  Levantei-me e resolvi olhar o painel do veículo. Estava escrito: 11:45 h - Ponta da Praia.

Era o meu ônibus, com meia hora de adiantamento. Beleza!

-Moça: posso ir nesse? Venderam-me, faz quase quinze minutos, uma passagem para o ônibus das 12:15 h. mas é uma diferença de meia hora.

-Não senhor! Esse aqui já está atrasado. O senhor vai ter que viajar no próximo.

E você queria que eu não estivesse fulo da vida? Que não rasurasse o verso destes documentos (uma escritura) para rabiscar esse meu “emputecimento”?

Quem se doer com isso e pretender me contrariar, ao invés de imprecar contra mim, que vá... cobrar de seus pares e parceiros a parte que lhes cabe na solução ou em uma saída para essa bagunça.

Já sei! Não quer, não fica bem, dá trabalho...

Sabes, ao menos, qual o legado que vais deixar para os teus descendentes?

Merda!

PS: Já que sobravam quinze minutos e o “coitado” estava reclamando da coleira, desamarrei o fitilho do pescoço dele e o levei para um passeio nas instalações sanitárias do botequim, no outro lado da rua.

Ainda bem que os estabelecimentos que lidam com o público (sem concessões, é claro!) são obrigados a manter instalações sanitárias, e gratuitas, para o público em geral.

- Que delíiiiiiiiiiciiiiiaaaaaaaaa!

Penso eu, imaginando que a cuba seja a cabeça de qualquer um desses incompetentes de plantão.

 

Carlos Gama, www.suacara.com

06 de dezembro de 2001 - 17:17 h.

O que foi dito e muito mal explicado ao início do texto é que, se você quiser informações mais detalhadas sobre o título vai ter que ir à fonte, que fica no planalto central.

 

Metendo o Pau

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