Intriga

 

Intriga-me realmente, e não é de hoje, esse alheamento do poder constituído, da fiscalização que, às vezes, é tão efetiva e eficiente na hora de barrar uma declaração de rendas (salário, soldo, aposentadoria irrisória é renda. Só mesmo aqui! Esse país não se emenda), por conta da falta de explicações sobre a compra de uma bicicleta e é totalmente incapaz de fiscalizar as posses de um assaltante de bancos, que mora em condomínio de luxo, em apartamento próprio, possui inúmeros automóveis importados na garagem e só é pego pela polícia, por causa de uma falha na execução de uma ação simples em sua atividade usual: o roubo a bancos.

Nesta semana, duas ocorrências semelhantes excitam, também, a minha curiosidade: a história do inspetor, no Rio de Janeiro e a ocorrência, em São Paulo, da prisão de um dos maiores líderes do tráfico de drogas da Colômbia.

Um inspetor de polícia a serviço do crime organizado, operando acintosamente, é um fato incomum, mas o que me intriga verdadeiramente é o fato mais usual, da propriedade ou posse de um veículo importado, que custa dezenas de milhares de dólares, quando o salário deste funcionário público anda lá embaixo. É corriqueiro observarem-se pessoas que ocupam funções públicas exibirem bens que, pelos caminhos lógicos custariam salários de dez, de vinte anos de trabalho, se poupado cada centavo ganho e não se despendesse nada na sobrevivência. É intrigante ou não é?

Pois é, intrigante, muito intrigante também é prenderem um marginal estrangeiro e descobrirem que ele possui, além de inúmeras propriedades, um sem número de veículos de alto valor e, pior, várias empresas em plena atividade comercial, na maior capital do país. Bem, isso é o que se sabe, por enquanto.

Como é que eles fazem isso?

Como é que o dinheiro surge do nada, sem nenhuma explicação?

Bem, isso eu não sei, não.

Roubaram a galinha do vizinho!

-Pega ladrão! Pega ladrão!

Calma!

 

Carlos Gama.

11 de agosto de 2007.

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