Litoral Paulista, Terça-feira, 11 de Março de 2003

Polícia ouve implicados em vandalismo

Da Reportagem

Reconhecidos nas imagens captadas pelas câmeras de vídeo instaladas na orla marítima, quatro adolescentes e um adulto acusados de praticar atos de vandalismo na Avenida Castelo Branco, em Praia Grande, na segunda-feira de Carnaval, explicaram ontem, na delegacia-sede do Município, suas participações no episódio.

O delegado-titular Rubens Eduardo Barazal, que ouviu os depoimentos, disse que os adolescentes manifestaram arrependimento pelos seus atos, alegando que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto.

‘‘Os rapazes ouvidos afirmaram que não tinham a intenção de machucar nem assustar ninguém e que a intenção era apenas aproveitar o Carnaval’’, disse o delegado, que também conversou com os pais dos envolvidos, alertando-os para as conseqüências dos atos de vandalismo praticados contra os veículos que trafegavam na avenida.

‘‘Pedimos aos pais para que passem a ter maior cautela com seus filhos’’, disse Barazal, salientando que o conteúdo dos depoimentos será encaminhado à Vara da Infância e da Juventude de Praia Grande, que pode determinar medidas socio-educativas aos menores, como por exemplo, prestação de serviços à comunidade.

Ele comentou que será marcada uma data para que os adolescentes e seus responsáveis compareçam ao Juízo da Infância e da Juventude.

Informou também que outros três adolescentes foram identificados nas imagens, mas, como residem em São Paulo, seus depoimentos devem ser feitos no decorrer da semana. ‘‘Estamos entrando em contato com seus pais para que eles possam ser ouvidos’’.

Com relação ao maior de idade, o mecânico Sérgio de Jesus Lima, de 23 anos, o delegado afirmou que o caso se enquadra na lei dos crimes de menor potencial ofensivo. Por isso, a ocorrência foi registrada em um Termo Circunstanciado, que será enviado à Justiça juntamente com seu depoimento.

 

Embriaguez

 

O mecânico Sérgio de Jesus Lima compareceu à delegacia acompanhado de sua advogada, Priscila Dias Hermógenes.

Conforme Priscila, seu cliente admite que estava no local dos distúrbios e que apenas se encostou em alguns carros porque estava embriagado.

‘‘Ele está arrependido de tudo o que ocorreu. Mas garante que não arremessou nada, nem agrediu ninguém. Ele se deixou levar pela embriaguez e pela movimentação dos outros garotos, que já tinham começado toda a bagunça’’, disse a advogada.

Após os depoimentos, os menores e o mecânico foram liberados. Ao sair da delegacia-sede, os pais de alguns adolescentes hostilizaram os jornalistas que faziam a cobertura dos depoimentos.

Aqui terminou o noticiário do Jornal A Tribuna de Santos e nós faremos o nosso comentário:

 

 

Esses "inimputáveis" agrediram pessoas que passavam a pé e danificaram todos os carros que puderam, e só foram identificados por causa de filmagens feitas no local. O que ocorre, porém, é que a quase totalidade das autoridades judiciárias, policiais e membros do ministério público, que lidam com esses infratores, não se dão ao trabalho de alertar, com a devida severidade, sobre as conseqüências penais para os "irresponsáveis" por esses marginais.
Se tal atitude fosse tomada, seria reduzida enormemente a reincidência, e esses mesmos "pais" não estariam à saída da delegacia de polícia ameaçando os profissionais, que faziam a reportagem sobre a matéria, quando deveriam estar cabisbaixos e envergonhados.


"Tal pai, tal filho!"

 

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