Frente ao caminhoLizete Abrahão
Tanto
tempo passei sobre meus pés... Longo
o caminho, curta foi a viagem. Chego
ao destino sem mim e sem fé; Nos
meus sinais ficou minha bagagem... Do
que guardei não tenho mais que um nada, Minha
nascente secou na poeira; O
hoje é o início de uma madrugada Que
já não tem manhã como soleira. Do
sono que se entorna sobre a vida, Acordo
a Fênix que o meu ninho pisa: Bato
as asas rumo à fonte perdida; Vontade
voa, corpo se graniza. Da
estrada que me resta e não conheço, Um
mundo ouvi e já sei o que vale: Cega
no saber, vejo o que mereço, Mas
o tempo fará com que me cale.
Por
isso escrevo assim tão descuidada, Tento
dizer começos e finais. Não
digo; o tudo, mais do que o nada, Transborda
palavras, nascem meus ais.
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Leitura: Carlos Gama |
Melodia: L´adieu |
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