Foi Deus 


Autoria: Alberto Janes 

Interpretação: Amália Rodrigues

 


Não sei, 

não sabe ninguém, 

porque canto o fado, 

neste tom magoado, 

de dor e de pranto.



E neste tormento, 

todo o sofrimento, 

eu sinto que a alma, 

cá dentro se acalma, 

nos versos que canto.



Foi Deus, 

que deu voz ao vento, 

luz ao firmamento, 

e pôs o azul, nas ondas do mar.



Foi Deus, 

que me pôs no peito,

um rosário de penas, 

que vou desfiando, 

e choro a cantar.



Fez poeta o rouxinol, 

pôs no campo o alecrim, 

deu flores à primavera, 

ai, deu-me, esta voz, a mim ! 



Se canto, 

não sei o que canto, 

um misto de ventura, 

saudade, ternura, 

e talvez o amor. 



Mas sei que cantando, 

sinto mesmo quando, 

se tenho um desgosto, 

e o pranto no rosto, 

me deixa melhor. 



Foi Deus, 

que deu luz aos olhos, 

perfumou as rosas, 

deu ouro ao sol, 

e prata ao luar.



Foi Deus, 

que me pôs no peito, 

um rosário de penas, 

que vou desfiando, 

e choro a cantar.



Fez poeta o rouxinol, 

pôs no campo o alecrim, 

deu flores à primavera, 

ai, deu-me, esta voz, a mim ! 

 

 

 

 

 



Letra: http://musicasantigas.kit.net/  

Música: http://www.selvas.com.br/musica.htm  


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