O Estado Como Infrator

 

 

Como é que se pode, conscientemente, pretender que os cidadãos menos conscientes obedeçam às normas, que norteiam a vida em sociedade, se o estado que as elabora é o primeiro a descumpri-las?

 

São inúmeros os exemplos clássicos mas, para sermos breves,  abordemos apenas um deles: a Seguridade Social.

 

A seguridade social está à beira da falência, por conta dos desmandos e dos desvios de finalidade, praticados pelo próprio governo, contra os cofres desse setor. Some-se a isso, todos os desvios de recursos (várias tipificações poderão ser encontradas dentro do Código Penal) praticados por funcionários e outros agentes externos.

 

É altíssimo o percentual de segurados que não têm qualquer direito, mas ali estão sugando os já sangrados úberes dessa mal cuidada rês pública.

 

O estado reluta, por razões políticas ou não, em fazer um claro e público diagnóstico das razões (passadas e presentes) dessa hemorragia.

 

O contribuinte sofre reajustes em suas contribuições, com base na atualização do salário mínimo, porém, quando pensionista, os fatores de correção de seus proventos são sempre inferiores a esses mesmos índices (à razão de, no mínimo, 60%), o que gera uma defasagem injusta, imoral e ilegal. Essa prática contumaz tem levado o Poder Executivo  às barras dos tribunais, na condição de infrator das normas vigentes, para correção desse desequilíbrio; com isso as normas perdem  credibilidade e função.

 

O estado age irresponsavelmente, na pressuposição correta de que a maioria não acredita no resultado, ou não tem paciência para aguardar o final dessas lides infindáveis, em um judiciário assoberbado pelos processos gerados pelo próprio poder público.

   

Os cofres da seguridade social se abastecem e se sustém das contribuições dos segurados e de seus empregadores. A regra é mesma para  o funcionalismo público, porém, a contribuição de seu empregador – o Estado – acaba não ocorrendo, o que gera um imenso rombo no fundo desses cofres.

 

Além da sonegação estatal, ocorre a burla praticada pelas grandes empresas. Somente uma relação parcial, recém divulgada, mostra o montante do débito  de algumas delas, especialmente de grandes instituições bancárias (as mesmas que divulgam balanços milionários, periodicamente): 75 bilhões de reais, devidos ao INSS.

 

O estado choraminga mas, com as mãos nos bolsos dos pequenos, não tem como esconder a cara suja.

Carlos Gama.

30 de abril de 2003 – 11:00 hs

 

 

 

Lembre-se que eu aguardo a sua visita ao próximo Toque.

 

 

 

 

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