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Na conversa com seu Raimundo, em 30 de janeiro de 2002, o assunto era Amyr Klink.

Quem sou eu para estar contando histórias a respeito de um navegador ímpar, destemido e arrojado como este?

Ninguém! Apenas mais um admirador desta coragem, deste espírito lúcido e deste empreendedor fabuloso.

Mas eu contava, como admirador, a meu amigo Raimundo, algumas das peripécias anteriores, do comandante desta embarcação que partiu hoje, aqui de Santos, com destino à Geórgia do Sul, nas bordas do Continente Antártico.

Essa primeira etapa da viagem do “Paratii 2”, com destino à Antártida, deve durar de dois a três meses e é o marco inicial do projeto “Mar Sem Fim”, iniciado há oito anos. Após essa fase, o veleiro retorna a Paraty, entre abril e maio, onde passará por uma revisão geral, para que possa, por volta de outubro, iniciar uma volta ao mundo, com retorno previsto para março de 2003.  Seis a sete meses depois dessa nova estada, em outubro de 2003, o navegador parte rumo à China, por uma rota muito pouco usada.

A construção do Paratti 2 começou, em tese, a partir de 1993, quando Amyr encomendou o projeto ao escritório francês Bouvet Petit.  Mas, para a realização do trabalho, o comandante convidou um já famoso projetista, o belga Thierry Stump. O custo, ao final de 6 anos de construção, foi de R$ 6 milhões. É uma embarcação cujo casco, construído em alumínio aeronáutico sem pintura, tem 30 metros de comprimento por 8,5 metros de boca (largura) e dois mastros de 33 metros (autoportantes: sem estais, que são os cabos que os sustentam, convencionalmente) construídos em fibra de carbono, por uma empresa de origem inglesa; a embarcação também é equipada com dois motores Mercedes Benz, de 350 hp cada um.

Existe uma previsão de doze dias de navegação até a chegada, na Baia de Margarida, primeiro ponto de parada na Antártida, onde deverão encontrar uma área de navegação crítica, em razão dos desníveis das águas, pelo encontro dos Oceanos Atlântico e Pacífico.

Segundo Amyr: “até hoje muito poucos navegadores chegaram a esse ponto”.

No Mar de Behllinghausen, os perigos maiores ficarão por conta das placas de gelo flutuantes, cuja detecção depende do radar. É pretensão da equipe o “surfar” de ondas gigantes, na Antártida, o que possibilitará a superação das velocidades até hoje alcançadas por embarcações semelhantes.

Não estranhe, pois não houve erro na grafia da palavra equipe, acima.

Depois de vinte anos conhecido como o navegador solitário, pela primeira vez, Amyr Klink, o comandante, é acompanhado por outros tripulantes.

Dentre os membros da equipe está o eletricista e navegador Marcos Hurodovich (Marcão, segundo o Raul), outro navegador é José Fernandez, mais o velejador Fernando Bonini e o médico Fábio Tozzi, que, além das pesquisas que pretende desenvolver sobre hipotermia, vai cuidar do estômago da tripulação, comandando o fogão de bordo.

Nós ficamos por aqui, torcendo por mais um sucesso e desejando-lhes um feliz regresso.

Carlos Gama. www.suacara.com

31 de janeiro de 2002 – 00:55 h

As informações aqui contidas foram obtidas na leitura do diário "A Tribuna" da cidade de Santos.

 

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