
Jamais!
Não,
Nunca...
Permita
que, a vergonha, a preguiça, o comodismo, a falta de tempo ou qualquer outro
fator lhe impeça de dizer o que sente.
Se
forem palavras duras, admoestações, expresse-as, alivie seu coração e
perdoe.
Porém,
se as palavras ou os sentimentos a serem expressos, forem de amor, com muito
mais razão, você deve permitir que extravasem.
O
tempo não espera por você e, lá dos
“céus” não avisam nada, simplesmente cumprem, à risca o que está
escrito.
Portanto,
se tiver que gritar grite, se tiver que dizer que ama, faça-o mas, que seja
agora; o amanhã não espera pela sua indecisão.
Escrevo
e a chuva fina cai, silenciosa. Talvez, para que o meu coração, em torvelinho,
não seja interrompido em sua dor e minha mente não se perca nos meandros dos
pensamentos ou dos sentimentos.
Cheguei,
de viagem, anteontem. Cheguei cansado, com muitas coisas por resolver. Nada que
fosse inadiável mas, acabei protelando a ida, contrariei a minha intuição
e o meu desejo... Agora é tarde!
Ontem,
também, estive muito ocupado. Hoje, porém, me sobra tempo para sentir
tristeza, para permitir que as saudades tomem conta de meu coração e as lágrimas
rolem pelo meu rosto, enquanto escrevo estas poucas linhas, em despedida.
Acordei
cedo, me espreguicei, na rede. Atentei para o fato de ter dormido como uma
pedra; os braços cruzados, ao deitar, ainda estavam assim quando despertei, com
aquele peso, físico, no peito.
Pouco a pouco, a
tristeza foi tomando conta de mim, sem mais, nem porquê, e aquilo me
incomodava. Jamais aceito que isso aconteça, sem que haja razão. Não acho
justo permitir que um sentimento, que não seja de alegria e felicidade, se
instale no peito, sem direito. Mas, não havia como afasta-lo, fui ficando,
matutando e acabei me levantando meio estrovinhado, ainda, umas duas horas mais
tarde e sem respostas.
Depois
de um cafezinho, um passar de olhos pelo jornal do dia; já faz duas semanas que
não os folheio.
Lá
pelo meio do jornal, num quase pé de página, uma nota de falecimento; um
artista plástico...Retorno, afinal eu conheço muitos deles...
Vou
sentir muitas saudades e vocês também, de seus desenhos satíricos, bem
feitos, com muito humor e carinho.
Dizia
a nota: Faleceu Vittorio Andrés Queirolo Venegas, ontem, aos 63 anos, artista
plástico...
Isso mesmo! Havia sido sepultado às 08,30, da manhã de hoje, meu amigo, companheiro de muitos e longos papos, de cafezinhos, de olhares vagantes pelos pores de sol e pelas folhas balançadas pela brisa, à beira mar santista.
É!
Partiu, sem ao menos se despedir, o meu amigo “Queirolito” ou
“Don Vittorio”, como eu o tratava, dependendo do momento e do estado
de espírito.
Chega
de lágrimas!
Vou
me sentar, naquela mesma mesa à beira mar e, ainda que, com este frio, esta
garoa, tomar um chopp e me despedir do velho amigo e companheiro.
Com
toda a certeza não estarei sozinho!
1- Caricatura - Queirolo por ele próprio.
2- Caricatura - Queirolo por Queirolo.
3- Foto - Queirolo e Carlos Gama.
4- Foto - Queirolo e Carlos Gama.
5- Foto - Queirolo, Fábio e Carlos Gama.
6- Foto - Queirolo, Carlos Gama e...