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Descompasso a Meio Caminho Saio daquele salão e daquela bagunça toda, por mim promovida. Vou indo, com ares de satisfação, espírito alegre, leve, solto e caminhando em direção à condução que me vai levar ao Shopping e ao encontro do amigo e parceiro, Queirolo. Mas, qual o quê! O dorminhoco ainda não chegou. Levo em mãos a mesma máquina fotográfica que trazia ontem, com o objetivo de tirar umas fotos de nós dois, com o gerente da Renner: Fábio. Como nenhum dos dois está por lá, resolvo esticar a caminhada mas, sem ir até em casa. Hum! Penso eu: excelente momento para ir à São Vicente e fazer outras fotos. Gostei da idéia! E, ponho-a em prática. Desço ali, na Presidente Wilson, vou caminhando sem pressa; passo pelo Boa Vista, semi- vazio, vasculho-o com o olhar atento...Uma jovem sorri para mim, eu entro. Chego junto à mesa, vazia. Miragem! Crio coragem, meio atônito eu saio, cismado, contorno a esquerda na Onze de Junho e vou tomar um café ali, no pequeno centro comercial. Lá de dentro, junto ao balcão, olho e não vejo o carro estacionado. Desperto! Termino meu café e saio em direção à praia. Vou indo, vazio, vagueio, vago e meio alheio ao tempo, ao momento. No banco de cimento, um bêbado, sonhando, talvez como eu, fixa os olhos no mar, com a vista e a mente também, perdidas no espaço temporal. Peço licença e sento-me ao seu lado. Pego a máquina e faço uma foto. Quero fixar a imagem que tenho na mente, no peito. A mesma praia, o mesmo mar, a mesma ilha, toda uma paisagem igual mas, quem a ilumina é sol e não o luar. Ao meu lado um ser embriagado e eu, também, embriagado de saudades, relembro seu rosto de menina. Na memória, percorro seu braço com as pontas dos dedos e sinto ainda, sua pele arrepiada ao meu contato. Saudades! O peito responde com o bater descompassado de meu coração de menino apaixonado. Feliz! Desperto de mais um sonho e continuo a caminhada, vou indo, em busca de mais uma imagem, para fixar através da lente da máquina. Fotografo a praia, sua pequena extensão de areia e divago, novamente menino, pelas imagens gravadas na memória ou no coração. Do arquivo da memória saem, longínquas imagens de passeios ao entardecer, risos infantis, adolescentes lembranças, uma lancha, belas jovens, o som do mar quebrando suave. Do arquivo do coração uma só imagem: você, alegre, menina e feliz. É o meu coração quem diz! Carlos Gama.www.suacara.
13/4/2001,
em seus primeiros minutos, uma sexta-feira da Paixão. |