As informações aqui contidas, foram enviadas por Itajaci Caldeira, a título de colaboração para com o nosso esclarecimento. É mais uma oportunidade para que enxerguemos o resultado do nosso alheamento e da imprevidência administrativa de nossos governantes.
Este texto, oficial, data de 1995 e o endereço da página de onde ele foi extraído, você encontrará ao final desta leitura.

Ali, poderão ser encontrados muitos outros projetos que, assim como esse, ficaram apenas nas promessas de campanha do atual governo.

 

 

 

 

ERRADICAÇÃO DO MOSQUITO DO DENGUE E DA FEBRE AMARELA URBANA NO BRASIL


País busca adesão para programa continental de erradicação

O Governo Federal começa a executar ainda este ano, em articulação com os governos estaduais e municipais e a sociedade civil organizada, ações para erradicar do território brasileiro o Aedes aegypti, mosquito transmissor dos vírus do dengue e da febre amarela urbana. Envolvendo vários ministérios e outros setores do Governo, as ações estão definidas no Plano Diretor de Erradicação do Aedes aegypti do Brasil. O Plano foi elaborado pelo Ministério da Saúde, através do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e da Fundação Nacional de Saúde(FNS), com o apoio técnico-político do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), a assessoria técnica da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e a colaboração de cerca de 70 profissionais especialistas de diversas áreas.

Aprovada pela Presidência da República, mediante decreto de 18 de junho, com base em Exposição de Motivos do Ministro da Saúde, Adib Jatene, a iniciativa é ambiciosa, inovadora e ousada. Ambiciosa, pois vai além da intenção da erradicação do vetor ao propor ações que promoverão a saúde e, conseqüentemente, melhorarão as condições de vida do brasileiro; inovadora ao estabelecer mudanças na estratégia de combate ao mosquito; e ousada já que, entre outros aspectos, propõe um programa continental de erradicação do Aedes aegypti, já apreciado e votado pelo Conselho Diretor da OPAS

A estratégia continental de erradicação do mosquito justifica-se, segundo o Plano, diante do agravamento da situação epidemiológica do dengue e de sua variante hemorrágica. A dispersão do vetor atinge quase todos os países, e as quatro variedades do vírus já circulam nas Américas. Casos de febre hemorrágica do dengue foram registrados em Cuba, Nicarágua, Venezuela, Colômbia, El Salvador, Porto Rico, Güiana Francesa, México e Brasil. Epidemias do dengue clássico têm se sucedido ao longo dos últimos 15 anos. No Brasil, o Aedes aegypti foi detectado em 25 Estados e em 2.000 dos 5.000 municípios. Dezenove das unidades da Federação já registraram epidemias da doença: casos do dengue hemorrágico foram diagnosticados no Ceará, no Rio de Janeiro e em Mato Grosso. Os vírus DEN-I e DEN-II estão circulando em grande faixa do território nacional.

Esse quadro demonstra, no entender dos idealizadores do Plano, que as ações de controle do Aedes aegypti desenvolvidas ao longo dos últimos 15 anos não têm surtido os resultados esperados, apesar da aplicação de parcelas significativas dos escassos recursos disponíveis para o setor saúde. O Aedes aegypti já foi erradicado do território brasileiro duas vezes e, no entanto, ressurgiu devido a falhas dos programas, seja pela não detecção de reinfestações, seja por desativação de estruturas de combate ao vetor, o que dificultou a pronta atuação sobre os focos detectados.

Os pilares do Plano de Erradicação

O Plano prevê a aplicação, ao longo do período 1996 - 1999, de recursos da ordem de R$ 4,5 bilhões, já previstos no Plano Plurianual, o que equivalem a R$ 1,5 bilhões ao ano. Esses valores representam menos que 10% dos recursos previstos para saúde e saneamento (R$ 55,686 bilhões) e menos que 2% dos recursos previstos para desenvolvimento social (R$ 300 bilhões), no período citado.

As cifras comprovam que o custo de erradicação do Aedes aegypti a longo prazo é menor que o custo das ações de controle até aqui desenvolvidas, apesar de, no primeiro momento, o Plano demandar a aplicação de grande volume de recursos. Isso será compensado nas fases seguintes - de manutenção e de consolidação -, quando os valores serão menores. "O incremento de custos a longo prazo", afirma o documento que estabelece o Plano, "não diz respeito unicamente aos custos financeiros, que são altíssimos, mas incluem também os custos de vidas humanas precocemente ceifadas, os efeitos sobre o sistema produtivo dos países, pelos dias de trabalho perdidos, além dos impactos sobre o meio ambiente que o uso de inseticidas por longos períodos causa e que ainda não foram adequadamente estimados".

Em sua Exposição de Motivos ao Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Ministro Adib Jatene ressalta que as ações do Plano Diretor de Erradicação do Aedes aegypti produzirão - além da redução dos casos de dengue e das formas aladas do mosquito, ainda no presente Governo, a níveis próximos de zero, o que garantirá as condições técnico-políticas para a sua continuidade no próximo período de governo - "significativos avanços na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, vez que preconiza a resolução dos problemas ligados ao destino final do lixo e à melhoria da oferta de água às populações. Com a implantação de medidas desta natureza, haverá redução acentuada das doenças de veiculação hídrica, das doenças relacionadas com o lixo e seus comensais, além de impacto importante sobre o meio ambiente nas áreas urbanas, suburbanas e nos aglomerados rurais, onde o problema do lixo é de maior intensidade e onde as ações do Plano se concentrarão".

O Plano prevê a introdução do controle biológico dos vetores nas operações de campo, alternadamente com o uso de inseticidas químicos, o que vai melhorar as condições ambientais, pois os inseticidas biológicos são inócuos ao meio ambiente e muito eficazes no combate às fases larvárias do mosquito. O Brasil desenvolveu, na Fundação Oswaldo Cruz, os processos de produção em escala industrial e tem condições de produzir o necessário para atender às necessidades do país, reduzindo significativamante os gastos com inseticidas importados, estimulando a indústria nacional, criando empregos e, sobretudo, protegendo o meio ambiente.

Além das ações de saneamento e de proteção ao meio ambiente, o Plano inova a partir do momento em que o Governo admite a necessidade de envolver e mobilizar, de forma consciente, a população, através de ações nos campos da informação, da educação e da comunicação para a saúde. As ações previstas visam à efetiva participação social, fundamental, segundo os elaboradores do Plano, para o sucesso da iniciativa.

As fases do Plano e o fortalecimento do SUS

Ao tempo em que erradicará o Aedes aegypti, o plano vai concorrer para o incremento da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) no país, pois define objetivamente responsabilidades compartilhadas e específicas para os três níveis de Governo. "No caso da erradicação do Aedes aegypti, o envolvimento municipal é novo e reveste-se de importância estratégica na execução de todas as fases do programa e, especialmente, na etapa de consolidação, onde a vigilância entomológica é a ação principal", diz o Plano. A organização das atividades vai atender às diretrizes e princípios do SUS e reforçar as normas de descentralização e comando único do Sistema em cada nível de Governo.

A situação epidemiológica do dengue e o risco de reurbanização da febre amarela não permitem que se espere até março de 1997 para iniciar as ações de campo voltadas para o combate ao mosquito, como está previsto. Por isso, serão mantidas as ações de controle em andamento desenvolvidas pelo Plano de Intensificação das Ações de Controle da Fundação Nacional de Saúde. Essa medida não só é de importância estratégica para a saúde pública, como os seus resultados aumentarão as condições de viabilidade e de exeqüibilidade do Plano de Erradicação.

O Plano terá início este ano com uma fase preparatória, durante a qual serão feitos os levantamentos das necessidades de insumos, equipamentos, recursos humanos e materiais para todos os componentes do Plano, que serão orçados e terão suas respectivas fontes de financiamentos definidas. É ainda nessa fase que serão criados os colegiados de coordenação e articulação, reforçadas as estruturas do SUS que serão envolvidas no Plano, e iniciadas as atividades de mobilização visando informar a população sobre a natureza e as características das operações de campo de combate ao vetor e estimular sua participação nas ações para a eliminação de criadouros e para a manutenção dos municípios livres de sua presença.

A próxima será a fase de ataque, prevista para se iniciar em março de 1997. É a fase de combate ao vetor propriamente dita, quando serão iniciadas simultaneamente, de forma articulada, em todos os municípios infestados, as ações que permitirão eliminar todas as fases evolutivas do Aedes aegypti. A metodologia utilizada nas operações de campo será diferenciada de acordo com a situação epidemiológica e entomológica de cada município, ainda que o início das ações se dê no mesmo dia. Essa fase será considerada concluída quando o monitoramento entomológico registrar negativação do município por, pelo menos, 12 meses consecutivos. Dessa forma, um município só será considerado em condições de passar à fase seguinte quando todos os seus bairros e as suas localidades preencherem o critério de estar há 12 meses consecutivos negativos para o monitoramento entomológico.

A fase de consolidação, que terá início de acordo com as avaliações municipais, é uma etapa de monitoramento entomológico, avaliação e acompanhamento. Essa fase será considerada concluída quando todas as localidades de uma área inicialmente positiva se negativem e se mantenham com índice zero após 12 meses de sistemática verificação.

Finalmente, a fase de manutenção será caracterizada pela permanência do monitoramento da presença do Aedes aegypti apenas em pontos estratégicos

O texto acima foi retirado da página do Ministério das Relações Exteriores.

 

 

 

"http://www.mre.gov.br/ndsg/texpor.htm"

 

voltar