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Cruzando os Dedos
Na
minha infância, que vai tão longe...
Recomecemos.
No
início da minha infância, tempo já tão distante, era comum e
eu me lembro cruzarem os dedos das mãos para trás, do lado das
costas, para esconder da vista de quem estava à frente, quando
se atendia a algum questionamento sobre a veracidade de um fato.
Aquele que punha em dúvida alguma história, perguntava ao
outro se ele jurava, como afirmação da verdade. O mentiroso,
então, fazia o juramento verbal, mas cruzava os dedos como
forma de anular os riscos do falso juramento.
Escrevi
tanto e talvez sem a devida clareza, que não sei se os mais
novos vão entender o que pretendi explicar; mas vamos adiante
com o principal, que é falar sobre Hipócrates e hipocrisia.
Hipócrates
foi um médico grego que viveu quatro séculos antes do início
da era cristã. De seu nome deriva o juramento, muitas vezes hipócrita,
que fazem muitos médicos ao serem dados como tais. Juram por
todos os deuses, provavelmente com os dedos cruzados às costas,
que irão ser, fazer e acontecer para o bem dos seus pacientes,
etc...O juramento é longo e, talvez por isso seja logo
esquecido pela maioria.
Exemplos
não faltam, tanto bons como maus...Estes últimos em maioria.
Hoje
eu só quero falar sobre oftalmologistas, porque não pretendo
escrever um romance sobre o tema.
Os
oftalmologistas que hoje atendem pelos planos de saúde, fazem
quase todos os procedimentos para livrar o paciente de catarata,
através do próprio plano, mas as lentes – se o paciente
quiser e puder pagar – geralmente importadas, são pagas à
parte pelos beneficiados, como fez minha mulher recentemente e
com muito sacrifício.
A
cirurgia foi um sucesso e, nos dois atendimentos pós-operatórios,
o profissional confirmou o fato.
Dois
meses – pouco mais ou menos – depois da cirurgia ela vem
tendo alguns problemas de visão, acordando com os olhos
molhados e visão embaciada.
Naturalmente
procurou contato com o consultório de seu médico, onde a
agenda é cuidada por sua esposa, explicando o fato e tentando
marcar um horário para ser atendida.
Infelizmente,
para o seu plano de saúde (que é o da Santa Casa de Santos)
ele só tem horário livre para janeiro de dois mil e doze –
é a resposta.
Minha
mulher insiste, porque, além do incômodo, ela anda preocupada
com as possíveis conseqüências de uma situação que, para
ela é estranha.
Aí,
eu pergunto a você - tão leigo quanto eu:
-Reclamar
a quem? A um conselho corporativista ou ao bispo de alguma
religião que não professamos?
Valha-nos
Deus!
Carlos
Gama.
Santos, 24 de novembro de 2011 |