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Uma
Virada Cultural, Talvez
Talvez sim, talvez não.
Esta é uma análise baseada no "talvez", porque
de nada mais se tem certeza, no tocante aos padrões ou aos
modelos culturais e comportamentais adotados pelo animal racional,
se é que podemos manter a audácia de nos classificarmos
desta forma.
Talvez tenhamos percebido que o modelo é falho e, por esta
razão passamos a aceitar qualquer desvio, por mais anômalo
que seja.
Talvez estejamos cansados de velhos hábitos e estejamos tentando
mudar, ainda que seja para pior.
Talvez, esse regredir nos leve a um estado de total decomposição
moral, que fará do despertar um acontecimento inevitável.
Aí, despertos, talvez retomemos a retidão do caminho,
para não mais compormos uma sociedade dissoluta, que viola
todas as bases e todas as regras daquilo que se tomou como bem.
Talvez, então, um homem não morra mais de fome, enquanto
outro homem acumula sem razão e sem lógica, aquilo que
não pode carregar para o lado menos denso da vida na matéria.
Então, talvez, as leis que os homens fazem possam ser mais
justas e punam de forma mais correta os poderosos que enveredam pelas
sendas do crime e de forma menos injusta os mais pobres, que também
enveredam pelo mesmo caminho, muitas vezes levados pelo desespero,
pela necessidade e pela impotência.
Então, talvez, os políticos, ainda que poucos, que houverem
permanecido honestos, não se corrompam e nem violem princípios
básicos, para auferir pequenas e desnecessárias vantagens
para familiares e conhecidos.
Talvez, até o futebol volte aos mesmos moldes de sua origem
e passe a ser um esporte verdadeiro, jogado com lisura e com respeito,
onde os juízes se imporão - ou despertarão respeito
- e o jogo volte a ser de domínio da pelota e não mais
um agarra-agarra sem nexo, de sem-sexo.
Quem sabe?
Talvez.
Santos, 15 de maio de 2009.
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