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Tu
Escorre-me a baba pelo canto da boca e se espraia pelo peito recoberto de brancos cabelos, que são o signo da idade. Esse escorrer da baba não é resultado de nenhum acidente vascular, mas é o fruto de um acidente de percurso recém acontecido ao telefone. Esses acidentes, essas falhas indesculpáveis só acontecem no serviço público, onde cada um faz o que quer ou em entidades como esta, onde ninguém se preocupa com o bom atendimento ao usuário. Pois é, eu telefonei ao meu sindicato para obter uma informação e a jovenzinha mal preparada, de pronto, me trata por "tu", depois continua, durante toda a conversa, usando do mesmo tratamento. Por fim, de "saco cheio", eu peço para ser atendido por outra pessoa, evitando fazer jus ao meu apelido, ali mesmo adquirido: Ministro da Educação. O atendimento posterior foi de outro nível, com a educação de quem teve berço, não um berço para dormir, mas daquele termo usado como forma de classificar a boa educação: aquela pessoa teve berço. Ter tido berço era a forma que os mais antigos usavam para classificar as pessoas de boa educação. Apesar de compreender a ausência de berço, eu continuo "babando" de raiva, por não ter agido como seria o correto, ainda que a mocinha não fosse entender o que eu gostaria de lhe ter dito: "tu, minha filha, é aquilo que diz meu neto-herdeiro (herdeiro do meu apelido), em seu linguajar um tanto trôpego". 20/1/2009 12:30:46 |