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Troca
Sem Efeito
Algumas trocas afetam o resultado ou o conteúdo, especialmente
dentro da língua portuguesa, ainda que ela seja tão
dinâmica que aceite de tempos em tempos alguma mudança
radical. Mas, ainda assim, algumas trocas de letras, dentro de uma
mesma palavra, podem não lhe alterar o significado e o seu
efeito.
Ainda que eu tenha começado falando de idioma, o meu pensamento
resvala e deriva para algumas questões ditas sociais ou educacionais
e a efetividade de seus resultados práticos. Sim, eu encafifo
quando ouço digressões e mais falácias sobre
a eficiência da escola pública, sobre a modernidade do
ECA, sobre o combate ao trabalho infantil, sobre o resgate racial
e um sem número de medidas chamadas "sociais", quando
vejo as crianças nas ruas, vendendo habilidades em semáforos,
alugando corpos em desvãos, freqüentando escolas inúteis
em busca de um prato de comida ou trabalhando com carteira assinada
para qualquer traficante, em qualquer bairro, em qualquer cidade do
país.
Aí, eu olho tudo isso e tento inquirir a mim mesmo, buscando
entender porque um adolescente não pode ser empregado regularmente,
em qualquer atividade digna, como éramos nós há
cinqüenta anos, adquirindo responsabilidade, aprendendo um ofício
para que, hoje, com os cabelos já brancos possamos sentir orgulho
de termos começado a ser cidadãos quando ainda era tempo,
sem que isto nos lesasse o corpo, a alma e os conceitos pessoais?
Porque os pais se eximem de responsabilidade em relação
aos filhos e não respondem por isso ou os professores, para
quem se transfere o ônus da formação e da educação,
não podem reprovar o discípulo e muito menos dar um
puxão de orelhas, para manter reto o caule, antes que o tronco
entorte de vez?
Então, eu volto ao início deste texto, revejo as imagens
de milhões de jovens, de adolescentes de hoje em dia e percebo
que não existe nenhuma diferença entre as palavras falsa
e farsa, pois ambas nos falam com clareza de tudo aquilo que pregam
os politiqueiros farsantes e os defensores de uma falsa imagem de
direitos humanos.
Santos, 13 de junho de 2009.
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