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Sabedoria e a Paz
Disse certa vez um pensador, que com o passar do tempo, o que de melhor
se descobre no relacionamento a dois é a distância.
A maioria dos que lêem esta afirmativa tão categórica
irão discordar, com toda a certeza, especialmente se forem
jovens ou pessoas com pouca vivência no relacionamento a dois,
mas aqueles mais experientes e com coragem suficiente para enfrentar
esta verdade, irão reconhecê-la, pronta e inegavelmente.
É parte do espírito humano, em fase primária
de desenvolvimento, esse poder de infernizar a vida do semelhante,
especialmente se existirem títulos, que possam dar a impressão
de propriedade sobre quem vive ao lado, compartilhando espaços
e "aceitando" a indevida invasão da mínima
e desejável privacidade.
Não existe, acredito eu, sociedade conjugal ideal. O que se
vê, fora do estado de beligerância nos relacionamentos
a dois, é a aquiescência muda e covarde ou a submissão
em nome de uma paz fictícia, que não chega jamais ao
interior do indivíduo, até porquê não subsiste
a individualidade nesta forma de existir.
Entretanto, existem possibilidades de contornar a zona de guerra,
estabelecer campos neutros, sem ferir suscetibilidades, minimizando
a preocupação com a opinião alheia e este caminho
é o das casas separadas. Nada mais ideal, nada mais funcional,
que um casal vivendo cada qual em sua própria casa, preservando
identidades, respeitando liberdades, espaços, amizades, gostos
e horários.
Não existe caminho mais prático e mais pacífico,
que a existência de espaços próprios e indivisíveis,
passíveis de serem prazerosamente compartilhados pela vontade
comum, em momentos de aquiescência mútua.
Experimente (não importa se você é homem ou mulher)
e, talvez, descubra o caminho da paz.
Santos, 02 de junho de 2009.
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