Legislando em Causa Própria


Não bastassem todos os embrulhos, pacotes e disformias no âmbito da eqüidade, que ensejaram aberrações como as "cotas raciais", eles ressurgem com outras novidades, perniciosas e socialmente inúteis, no campo das partilhas. Agora, o modismo politiqueiro é a "cota" para deficientes nas universidades públicas.
Pelo que se depreende do conteúdo do PL 1883/2003, agora aprovado na CCJ, 10% de todas as vagas em universidades públicas estão reservadas para os portadores de qualquer deficiência, independentemente da condição social do postulante ou de sua família. Como se não bastassem os recentes golpes no PROUNI, onde os aproveitadores deram "drible de letra", os jurisconsultos (verdadeiros Frankensteins) que representam o povo brasileiro, para "fazer média", garantir a "boquinha" e todas as vantagens dela inerentes, ainda abortaram mais esta deformidade jurídica.
Se não se aclarar o termo "deficiência", não faltarão candidatos oriundos do legislativo e, aí a coisa parte para o campo da imoralidade (como se isso os incomodasse), porque legislar em causa própria é o máximo da iniqüidade.
Como no início destas linhas rememoramos a aberração chamada de "cota racial", concluiremos estas análises transcrevendo parte de uma carta publicada, hoje, no jornal Folha de São Paulo e que retrata uma realidade, para a qual todos os de bom senso alertavam antes da vigência desta anomalia:
"Sou filha, neta e bisneta de negros e nunca fui a favor de cotas para negros em universidades...
Essa maldita cota para negros alimenta ainda mais o racismo. Quando se vê uma pessoa negra na universidade, a gozação é rápida: "Você só está aqui por causa da cota".
Sou a favor de cota para pobres em geral, sejam eles negros, brancos, índios ou mestiços".
Helizabet Bispo (Belo Horizonte - MG).

Santos, 03 de maio de 2009.

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