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Extrato de uma carta a jornal: Senhor redator, boa tarde Nós, que nos alfabetizamos há quase seis décadas, nos sentimos perdidos no espaço ou neste vácuo, criado pelos modificadores da escrita. Quando já caminhávamos com alguma desenvoltura e, até, podíamos auxiliar os filhos com suas "lições de casa", vieram os "sábios" e nos fizeram voltar à estaca zero. Agora, quando estamos quase conseguindo concluir uma nova etapa de nossa alfabetização, chegam novas mudanças e nos reconduzem à condição de semi-alfabetizados. É por esta razão, que sugerimos as alterações na forma abaixo descrita:
A Reforma Hortográfica
A falta de consenso e, principalmente, de bom senso têm levado às várias mudanças na escrita do idioma adotado, aqui, na colônia. Tais mudanças criam uma balbúrdia, naquilo que já se considerava aprendido, por todos os que usam a escrita como meio de comunicação e de expressão do pensamento, nestas últimas sete décadas. Já que não existe preocupação com as dificuldades geradas por estas alterações, que se adote a fonética como regra da escrita pois, somente assim, não subsistiriam mais dúvidas a respeito de certo e de errado na grafia de qualquer palavra na Língua Portuguesa. O indivíduo poderia escrever sutiã e a senhora decidiria escolher um sutiam (terminasse ele com m ou com n), sem medo de errarem na escrita. A peça do automóvel poderia ser uma pessa não muito importante, se pensássemos na forma de nos referirmos ao objeto em si, conseguindo nos fazer entender. O quadro-negro poderia ser descrito também com c e sem hífen, o que não o tornaria menos interessante ou compreensível. Por fim, abolir-se-iam as explicações sobre origem e derivação das palavras, esquecendo-se de vez as ligações com o grego (orthós) e com o latim (hortus) e eu poderia, sem qualquer contestação, criticar mais esta reforma hortográfica e, ponto final (será que ainda existe?). Santos, 24 de maio de 2008 |