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De
Cabo a Rabo
O subsolo da estrutura política deste país está
permeado por uma extensa e interminável rede de esgotos, por
onde transitam com desenvoltura roedores de muitos tipos e de várias
origens, quase todos, porém, interligados por boas relações
de interesses comuns, como é usual com os consangüíneos,
especialmente os murídeos.
Entretanto e infelizmente, essa rede tortuosa se estende de forma
tão abrangente, que compromete o restante da estrutura do país,
a sua sociedade e os princípios que deveriam norteá-la
por caminhos menos tortuosos e mais seguros. As ramificações
atingiram tal latitude, que a simples possibilidade de erradicação,
já coloca em risco os princípios ditos democráticos
e em perigo de ruína imediata todo o alicerce onde se funda
o estado brasileiro.
Talvez, aí, em nome da manutenção do chamado
"estado de direito" e, mais "secretamente", em
razão direta da defesa de interesses pessoais e de grupos,
tudo o que transbordou nos últimos dias, venha a ser convenientemente
cuidado com panos quentes ou com o usual estrabismo oportunista, que
norteia o trato entre os de mesma origem ou de semelhança em
caráter. Riscos de ruptura fazem parte da improbabilidade ou
do imponderável, porque, acredita-se, que jamais tenha havido
no país uma situação de envolvimentos tão
intensos, a ponto de poder comprometer irremediavelmente elementos
tanto do meio, quanto de qualquer um dos extremos.
Resumindo - usando de linguagem pouco clássica - poder-se-ia
dizer que qualquer deslize ou maior insistência sobre os fatos
reais, comprometeria o cenário político de cabo a rabo
e obrigaria, no mínimo, à renúncia coletiva no
Senado da República.
Santos, 29 de junho de 2009.
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