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O
Crime Organizado e o Patrimônio Nacional
Para falar de crime organizado e do nosso patrimônio, temos
sempre de começar por Brasília, pois é de lá
que nos vêm os mais fortes indícios de atividades deste
calibre e da quebra de princípios, que deveriam compor o nosso
patrimônio cultural, moral e social.
Tudo o que se torna comum, acaba deixando de ter importância,
deixa de chamar a atenção e as atividades ilícitas
e imorais que se observa nas casas oficiais planaltinas fazem com
que nada mais se estranhe neste país, nem mesmo os beijos na
boca, trocados em plenário, entre uma senadora, líder
da situação e o chefe da casa, que sempre compôs
o grupo dos oportunistas cínicos, que se achegam a quem esteja
no poder, objetivando o proveito próprio. São todos
farinha do mesmo saco.
Aí, pouca atenção se dá a ônibus
queimados em Santos, em manifestação orquestrada por
marginais.
Pouco se nos dá, que o PSDB se esforce por alterações
constitucionais politiqueiras, que permitam ou não a venda
da Petrobrás ao capital internacional.
Vê-se até, já sem tanto asco, que o patrimônio
moral diluiu-se nas águas sujas das falcatruas, dos desmandos
e da imoralidade pública.
O conceito do espírito cívico vai ladeira abaixo, levado
por antiga e multicentenária orquestração dos
vendilhões do país.
Andava eu neste ponto deste texto, quando precisei ir ao banheiro,
local onde a leitura se desenvolve com certa tranqüilidade -
sem que me importem quaisquer conjecturas a respeito - e os jornais
de ontem e de anteontem podem ser dissecados, sem que isto signifique
desperdício de tempo. Sim, desperdício de tempo, porque
o correto, hoje em dia, é o uso do todo o disponível,
unicamente para gerar receita financeira e enfatizar a importância
do ter. Mas, foi durante estas atividades, adequadas e oportunas,
que eu tomei conhecimento de uma sindicância aberta na USP,
para apurar o dispêndio de 87% do orçamento com pagamento
de salários, em detrimento de outros setores, como a pesquisa.
O que chama a atenção não é apenas o percentual
gasto com salários, mas o aumento anormal, de 55%, que ele
sofreu em curto espaço de tempo e, pior, o pagamento de horas
extras a quatro funcionários da Politécnica, que em
dois meses receberam R$ 49.500,00 (quarenta e nove mil e quinhentos
reais), ou seja, 6.187,50 (seis mil cento e oitenta e sete reais e
cinqüenta centavos) para cada um, por mês. Será
que eles andavam dormindo na universidade e essas horas todas foram
computadas como extraordinárias?
Isto eu não sei, mas com certeza afirmo que estamos quase lá,
estamos chegando ao fundo da privada e, aí, a coisa vai recender.
Santos, 05 de junho de 2009.
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