|
Das
Coisas Mais Difíceis
É das coisas mais difíceis falar sobre política
ou sobre o andar da coisa pública, sem que usemos de expressões
pouco recomendadas pelas normas da boa educação. Entretanto,
somente pelo respeito devido ao leitor, abriremos mão desta
necessidade e tentaremos comentar de forma educada algumas informações,
de hoje, a respeito de como andam as coisas em nosso país.
Fica-se encafifado com a postura aberta do governo, totalmente contrária
à criação de uma CPI (prática que só
leva vantagens aos políticos e nenhum resultado efetivo traz
para a nação) para investigar possíveis ações
incorretas da Petrobrás, enquanto afirmam não haver
nada de questionável nas práticas fiscais e contábeis
da estatal. Diz um velho ditado, que "quem não deve não
teme".
Por seu turno, o PMDB (que compõe a base aliada ao governo)
já está de garras prontas e dentes afiados, por conta
do quinhão que deverá abocanhar com o troca-troca em
torno desta CPI. Diz um Senador deste mesmo partido, que o "quanto"
e o "quando" dependerão dos dirigentes da agremiação.
É aí, que o eleitor fica de cabelos em pé, com
a possibilidade de adoção do tal "listão",
onde se vota no partido e eles é que escolhem os "representantes
populares". Eu, que já ando propenso a não votar
mais (justificando, em município próximo, a minha ausência),
tenho plena certeza desta atitude, se vigorar o tal sistema.
Uma Senadora do norte do país vem questionando judicialmente
a validade de um decreto recente, que sustenta a existência
de alguns monopólios na área portuária brasileira,
principalmente porque um dos maiores interessados é o senhor
Daniel Dantas, acionista majoritário da empresa que "herdou"
(ainda no governo FHC) o terminal de containeres preexistente no Porto
de Santos. A dita empresa se habilita, agora, à exploração
de um novo terminal, recém construído com dinheiro público,
na área de movimentação de veículos automotores.
Entretanto, há um grupo (velho devedor da União) que
já explora outro terminal no mesmo porto e também quer
o tal novo filão. Vai ser briga de cachorro grande ou um acordo
entre corsários, porque a litigância envolverá
o dito banqueiro e gente do próprio governo, pois alguns têm
ligações diretas com o financista e outros têm
antigos e sólidos interesses comerciais na segunda empresa.
Conseguimos!
Provavelmente pela
associação natural entre as duas, conseguimos falar
da políticagem, sem precisar das palavras
de baixo calão.
Santos, 19 de maio de 2009.
|