Em Causa Própria


Tem sido tão grande o descaramento dos legisladores brasileiros, construindo um emaranhado jurídico que atenda principalmente a seus interesses ou ao de grupos a si ligados que, até, o poder executivo arvorou-se com sucesso a ditador de regras e de leis. Hoje, o poder executivo atua com mais propriedade e eficiência, que o próprio poder legislativo e seus membros aceitam a ingerência de bom grado porque, além de se livrarem desta responsabilidade, ainda fazem de seu silêncio ou de sua conivência, a mais poderosa moeda de troca em proveito próprio.
É um jogo sujo, de acobertamento, de silenciares e compartilhamentos nas irregularidades, como jamais nos foi reportado pela história deste país e, infelizmente está tudo dentro das regras pré-estabelecidas por eles mesmos.
A mais alta corte judiciária tem suas vagas preenchidas por vias políticas e se espera justiça e seriedade no julgamento dos políticos infratores. O poder executivo elege terceiros para executarem as leis exaradas dele próprio e o poder legislativo, acéfalo e curvado às benesses ofertadas pelo executivo, é mais uma aberração neste teatro circular e de fantoches.
A Constituição, que deveria ser a regra máxima e impoluta, é a maior vítima das violações que lhe são impostas por emendas e remendos, que fazem dela, no limiar de sua maioridade, um verdadeiro rebotalho jurídico.
E ainda insistem em chamar a esta situação estrutural anômala, de estado democrático.
Acredite quem quiser.


Santos, 06 de junho de 2009.

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