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As
bolsas e a macacada
As práticas criminosas estão em crescimento acelerado
e não é em razão da fome ou de outras necessidades
básicas, mas em razão da carência moral e da falta
de mecanismos adequados, rígidos, para punir especialmente
os crimes contra as instituições públicas.
Na semana passada o TCU encontrou um sem número de irregularidades
no PROUNI (programa que visa possibilitar o acesso aos cursos universitários
a pessoas de baixa renda e oferece isenções fiscais
às universidades que o adotam) e os aproveitadores eram pessoas
com renda de até 40 salários mínimos por mês
e outro grande número deles possuía veículos
automotores de luxo.
Hoje, a notícia é sobre a descoberta pelo mesmo TCU,
de beneficiários ilegais do programa "Bolsa Família"
e dentre eles, pessoas já falecidas, políticos eleitos
(576) e milhares de donos de veículos automotores (19 mil),
perfazendo um total de 106 mil beneficiários irregulares.
Talvez seja a institucionalização destas práticas,
o fator inibidor do estabelecimento de penas bem severas para abusos
deste caráter, que minam a instituição de programas
sociais e o seu objetivo primário.
A impressão que se tem é de que a lotação
das prisões brasileiras está sendo feita com as pessoas
erradas.
Questionado ontem, na ONU, sobre políticas sociais e corrupção,
o Ministro dos Direitos Humanos emperrou e disse desconhecer algumas
imagens que todo o brasileiro conhece.
Não sei porque, estes fatos tão corriqueiros me trazem
sempre a imagem dos três macaquinhos. Afinal, aqui, apesar de
também não verem e de não ouvirem, os animaizinhos
falam e, infelizmente, quando abrem a boca só dizem besteira
ou mentiras.
Santos, 07 de maio de 2009.
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