Para Falar da Ponte


O assunto do momento é a tal "ponte estaiada" que, dizem, irá ligar Santos ao Guarujá. Um projeto feito em computador que, parece, se for levado adiante neste molde, irá deixar todo mundo com putas dores-de-cabeça; talvez até o carequinha. Não esse, o outro.
Bem, voltemos à ponte e ao seu estaiamento, que é o que lhe dá o nome.
"Estai" é o nome dado ao cabo de sustentação da mastreação de embarcações e, também vem sendo usado como forma de designar os cabos que sustentam alguma obra semi-suspensa, como algumas modernas pontes. Esta palavra tem o plural "estais" que, lá como cá, pode ter dois significados, um deles substantivo e o outro verbo. Como substantivo, ela é o plural de estai e como verbo está na segunda pessoa do plural do verbo estar, no tempo presente do indicativo.
Não vamos deixar que nenhuma possível elucubração nos leve ao que poderia imaginar o velho '"boca-de-privada", que logo iria juntar um "presente do indicativo", com tal verbo na segunda pessoa do plural, para concluir com um complemento. Tal figura nos ofereceria a imagem da realidade em suas próprias palavras e hábitos de expressão.
Vamos continuar falando sobre a ponte e seu projeto que, embora tenha sido desenhado em computador, foi feito nas coxas (no sentido original). Sim, foi feito nas coxas, porque já levantam lebres a respeito da altura do vão projetado que, se já estivesse pronto, impediria a passagem de alguns navios que por ali trafegam hoje.
-Como? Você que saber o que diria o "Boca"?
Bem, gente, quem for de melindres, é melhor fechar os ouvidos, porque eu vou atender ao pedido deste curioso.
O "Boca", juntando o presente do indicativo com o verbo estar na segunda pessoa do plural e o seu composto (que fora da gramática andaria de um objeto direto para uma voz passiva) diria:
-A aceitação do presente indicado (ou do indicado como presente) me diz que estais fodidos, como o estão todos os que crêem em políticos em vésperas de eleições.


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Santos, 19 de junho de 2009.

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