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Coragem ou Loucura? O
brasileiro que mora nas grandes cidades, e até nas de médio porte,
quase não teme a ação dos bandidos, seja na rua ou em casa. Será
isso uma demonstração de loucura ou de coragem? Análises
lógicas nos mostram que, na quase totalidade dos casos, não é
resultado de uma coisa nem de outra. Essa aparente indiferença é o
resultado do hábito e, em alguns casos, do comodismo ou da preguiça. O
brasileiro habituou-se a ser espoliado, de todas as formas, por aqueles
a quem elege como seus representantes. Esses porta-vozes do povo afirmam
e provam, teoricamente, que uma família pode sobreviver dignamente com
um salário ínfimo, de duzentos reais, que é o resultado de trinta
dias de trabalho e cujo valor é estipulado por eles. Porém esses
mesmos representantes - que “trabalham” três dias por semana - não
conseguem sobreviver com menos que noventa vezes esse valor, e ainda
precisam receber, mensal e adicionalmente, um auxílio moradia que
representa vinte e cinco vezes o valor do salário mínimo. Uma
minoria desse povo comum (a maioria recebe um salário mínimo), depois
de trinta e tantos anos de contribuição à previdência, adquire o
direito de receber, no máximo, sete salários mínimos e meio, com
direito a reduções gradativas anuais, até que atinja o valor de um
salário mínimo, também. Enquanto não atinge um determinado patamar
de redução, esse contribuinte goza da prerrogativa de não ter abatido
de sua declaração de rendas, o valor do aluguel de sua moradia. O
povo, entretanto, deve retirar desse salário de miséria, o valor do
aluguel de sua moradia e sequer consegue que esse valor seja abatido de
sua declaração de rendas. Ou seja: o dono do imóvel paga imposto
sobre essa renda e o morador não pode abater os valores pagos;
ocorrendo dupla tributação sobre esses valores. Esses
são, apenas, alguns exemplos do por quê de o povo brasileiro
acostumar-se, sem maiores sustos, aos assaltos não oficiais. Resultado
do comodismo e da preguiça, em matéria de assaltos, é a acomodação
e o silêncio que os acompanha na hora de ir às compras, nas lojas e
supermercados. De caneta em punho os especuladores remarcaram, somente
no último mês, as mercadorias que comercializam, em mais de cinqüenta
por cento e o povo silencia e consome, o governo fecha os olhos e soma,
ou some. Com esses poucos dados chega-se à conclusão que isso tudo que ocorre, ao invés de ser resultado da coragem ou loucura, é a conseqüência da covardia e da incapacidade de indignação, razão maior de nossa condição colonial.
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| Carlos
Gama.
www.suacara.com |
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07 de janeiro de 2003 – 12:48 h |
| Música
de fundo: Travessia - (Milton Nascimento e Fernando Brandt)
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