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Confissões
de Um Contraventor Foi
hoje pela manhã que, ao sair do banco onde recebo minha aposentadoria,
resolvi fazer um "fézinha". O termo é realmente esse, pois,
saldo de aposentado pelo
INSS não pode ter mais que quatro dígitos, com vírgula no meio, é
claro! Atravesso
a rua e encontro o "anotador" do lado de fora do boteco,
encostado na parede, comendo uma maçã. -
Vamos ao trabalho? -
É pra já! Não tenho muito contato com ele, por duas razões: A
primeira delas é por não fazer muito tempo que exerce, naquele local,
sua atividade. O velho "Pinheiro", meu conhecido de muitas décadas,
partiu faz alguns anos, mas colocaram um outro em seu lugar. E esse
outro deixou a área, também, não faz muito tempo, indo fazer
companhia ao primeiro. A
segunda razão é porque "fézinha" de pensionista, não
ocorre todo o mês. O saldo, para essa extravagância vem sendo mantido,
pouco a pouco, mês a mês, dígito a dígito. -
O jogo está uma miséria! Não tá dando nem pra morrer de fome - diz
ele. -
É... A situação econômica está feia! -
Depois que esse cara entrou pro governo, tá tudo feio! Hoje, o
vagabundo te assalta por um "merréis". E pode olhar por aí,
que não vai ver nenhum polícia. -E
pode? Esse outro, que também lá está, só defendeu direitos humanos de
bandidos. Se o policial apertar o vagabundo, vai puxar corda. Ponha-se
no lugar dele! Por uma mixaria, correr atrás de vagabundo e ainda
engolir bronca, é coisa para trouxa. E tem mais... Se a coisa fosse
para valer, você não estava aí dando sopa; o malandro ali na esquina
não vendia erva; o disk pó já tinha fechado e a menina; ali na rua de
trás, na porta do puteiro, nem existiria. -
Verdade! Falou tudo.
Conclusão: Isso
compõe o jogo do "podrer", É
a criminalização dessas práticas que garante a "reserva de
mercado". Carlos
Gama.www.suacara.com
21/02/2001. Som de
fundo: "Conversa de Botequim".
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