Carta Aberta Ao Senhor Ministro do Trabalho

 

 

Sem dúvidas, Vossa Excelência tomou conhecimento da matéria paga pelo SOPESP, publicada em primeira página de jornal de grande circulação, acusando a Delegacia Regional do Trabalho, de estar atuando de forma parcial (segundo ele) no trato das questões relativas à greve dos estivadores de Santos.

Realmente, as ocorrências acima relatadas, nada mais são do que a complementação de um trabalho iniciado muito antes da edição da Constituição Federal de 1988. Um jogo muito bem urdido e preconizado por Maquiavel, em  “O Príncipe”.

Um trabalho paciente, inteligente e muito bem remunerado.

Usa, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo, do artifício desta publicação, para tentar chamar sobre a questão (que tem laivos de veracidade) o interesse da opinião pública. Parte ele do pressuposto, que o povo está sempre alheio às realidades do que ocorre à sua volta. E o faz, com a certeza de que assim é, pois os meios de comunicação são empresas comerciais e trabalham sob o soldo do capital, qualquer que seja a sua origem, transmitindo as informações, quase sempre, de forma tendenciosa.

Quando, ao arrepio da mesma Lei pela qual ora clama, este mesmo SOPESP atropelou os direitos dos trabalhadores (incorrendo até, em práticas criminosas previstas na legislação penal vigente) contou com o silêncio desta mesma D.R.T.

Silêncio, Excelência, que se estende até hoje. Quando, já  passados três anos das denúncias feitas contra estes atos ilegais, este Ministério não promove a conclusão dos Processos pendentes (Processos de rito sumário!).

Não promove, sequer, a expedição de uma simples certidão que solicita informações a esse respeito.

De tais omissões, de tais atos atentatórios aos direitos previstos nas normas vigentes, ninguém se preocupa em financiar a notícia.

Verdade Excelência?

 

Carlos Delphim Nogueira da Gama Neto.    Santos, 11 de abril de 2001.