Bela Vista

 

É o nome de nosso clube de praia. Ali, onde nos reunimos nos feriados e aos sábados e domingos, pela manhã, para os nossos joguinhos de tamboréu, para nossas risadas, banhos de sol, fofocas, papos furados e, vez ou outra, até alguns papos sérios.

É exatamente aqui, bem defronte à ilha, à beira d'água, que nos juntamos para jogar.

Esse nosso pedacinho de céu à beira mar é o mais belo local da cidade. As energias, ali, são intensas. Urubuqueçaba nos oferece uma linda visão da natureza e, por inacreditável que seja, intacta.

Que os “Guardiões” deste local consigam manter desperta a sensibilidade daqueles que têm poder de decisão, para que esta jóia possa permanecer intocada, como está há milhares de anos.

Realmente, um milagre!

É verdade que, para subsistir dessa forma, somente contando com a colaboração e o empenho da guarnição do Corpo de Bombeiros do Posto 1, de Salvamento, sem os quais nada disso seria possível. Com o mesmo carinho e dedicação com que eles salvam vidas humanas, preservam intocada aquela área.

Quem leu outros escritos onde o clube é mencionado, provavelmente já conhece nossos hábitos. As churrascadas no último sábado do mês e até a “rebarba”, no dia seguinte.

Parece-me que todas as “despedidas”, ultimamente, estão de alguma forma ligadas ao clube. Neste fim de semana passado, 31 de março de 2001, dia de churrasco; depois do jogo pintou um violão na parada e foi a maior delícia.

Um dia, daqueles inesquecíveis, para ser rememorado através dos anos.

Milton, o dono do violão, perdeu o instrumento para o Celso mas arranjou um latão de lixo (de plástico) e deu um show de batucada.

O Beto filho do seu Maneco atacou de vocalista, fazendo coro, e manejando a timba era o próprio show man.

A cantoria foi das onze às cinco da tarde, sem repetição, ali no "Cantinho do Santão". Foi a nossa missa de sétimo dia para o Lúcio, que partira no fim de semana anterior.

Da “velha guarda” fundadora do clube, restam apenas três e o único que ainda freqüenta o local, com assiduidade, é o Albino um jovem que acabou de chegar aos setenta e cinco.

O clube é ainda mais jovem. Nem completou cinqüenta primaveras.  Nesta época, eu ainda era menino, recém entrado na escola. Mas, me recordo muito bem, com toda a nitidez, deste pedacinho: das bicicletas de aluguel, encravadas nos cavaletes de madeira; de Urubuqueçaba, ainda do mesmo modo, conservada; das cabines de banho, onde o pessoal de fora trocava de roupa; das agências de ônibus interurbanos, do terreno todo cheio de chapéus de sol...

Lembro-me, também, de uma manhã cedinho, quando eu caminhava sozinho junto da Pedra da Feiticeira quando divisei, de bruços...Bem, essa é uma outra história!

Se você quiser saber dela, me lembre, em outra oportunidade.

A churrascada de 31 de março de 2001 e a idéia de que era a última homenagem ao Lúcio, o mais antigo remanescente da velha equipe, despertou esta série de imagens do passado, inclusive a lembrança de que o clube foi fundado em uma manhã de dezembro de 1952, por iniciativa daquele grupo de esportistas que ali se reunia em todos os finais de semana.

O nome do clube é derivado do hábito, que tinham esses praticantes de tamboréu, de guardar as redes nas cabines de banho do balneário Bela Vista, um local que não mais existe e que ficava ali mesmo onde ainda nos reunimos hoje.

Carlos Gama. www.suacara.com

 

 

Plano de fundo: "Praia do José Menino e Ilha de Urubuquecaba em 1902" óleo sobre tela de autoria de Benedito Calixto de Jesus. O pintor nasceu em Itanhaém, no litoral sul do Estado de São Paulo em 1853 e faleceu na capital em 1927. Além da pintura, arte que o imortalizou, Benedito Calixto produziu diversas obras literárias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Urubuqueçaba vista do Posto 1  Urubuqueçaba - maré cheia  Maré cheia  O jogo de tamboréu  A despedida 1  A despedida 2  A despedida 3  A despedida 4