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As Malhas
São
absurdamente estranhas algumas ocorrências que se observa no dia
a dia do país, sem que se veja a coibição de tais práticas.
As notícias de enriquecimento ilícito se sucedem, tanto quanto
prosperam aquelas que nos falam dos desvios inumeráveis de
dinheiro público e a culpa sempre recai sobre o tal de salário
mínimo (o contra-piso salarial, o salário ínfimo). Nós (o
povinho) ficamos boquiabertos, cada vez mais
encafifados, com um número sem fim de perguntas sem respostas, e
revoltados com a idéia que fazem a nosso respeito: seres
incapazes de raciocinar e de questionar as mais simples mutretas.
Afinal, se qualquer um de
nós, simples contribuintes têm que prestar contas justas do que
ganha, como gasta e se está capacitado para adquirir uma simples
bicicleta, como é que esse pessoal consegue fazer milagres sem
nenhum questionamento felino?
É um verdadeiro milagre um funcionário público ganhar mil e
oitocentos reais (R$ 1.800,00) por mês e conseguir ter um
patrimônio avaliado em setecentos mil reais (R$ 700.000,00). É
ou não é?
Partamos do pressuposto que
esse funcionário (segundo as teorias de nossos políticos)
consiga o impossível de sobreviver com duzentos e quarenta reais
(R$ 240,00) por mês e deduzamos esse montante de seu salário
mensal. Restar-lhe-ão mil quinhentos e sessenta reais (R$
1.560,00), ao final de cada mês. Se dividirmos o montante do
valor de seu patrimônio pelo valor de sua "sobra"
mensal, ele precisaria de 448 meses para adquirir tais bens. 448
meses significam 37 anos de trabalho, gastando apenas um salário
mínimo por mês.
Alguma coisa existe e muita estranha, ou não?
O que nos causa perplexidade é não descobrirem o caminho
trilhado por esses profissionais do peculato, para fugirem das
explicações sobre patrimônio anormalmente incompatível com a
renda que auferem oficialmente. Muitos desses criminosos
constroem, em curto espaço de tempo, patrimônio que levariam
dezenas de anos, usando cada tostão de salário recebido dos
cofres públicos.
Que
mistério haverá pelos caminhos das malhas rompidas? |