Aprendendo a Ler

 

 

Não basta ser alfabetizado, é preciso saber ler!

Não basta ter boa audição; é muito importante saber ouvir com clareza.

A cada dia é mais necessário que aprendamos a ler e a ouvir. Tudo o que é noticiado acaba contendo distorções propositais e, nem sempre, muito claras.

Nos dias atuais, a confiabilidade dos meios de comunicação é muito relativa.

Todo o nosso futuro depende do desenvolvimento desta capacidade de percepção da realidade, da visão clara sobre as verdades que são distorcidas, fazendo com que nós fiquemos totalmente alheios à realidade e, assim, incapacitados para o exercício da cidadania.

Muitos daqueles que lêem estas linhas, acabarão não acreditando no conteúdo destas afirmativas e, por isso, vamos dar um exemplo inicial e único, ao menos no momento. Deixaremos que a caminhada, depois, se faça pelos próprios pés, ou melhor, pela vista, pela mente e pelos ouvidos do leitor.

O Estado de São Paulo - segunda-feira, 14 de janeiro de 2002 – página B 5.

(O jornal usa, hoje, de meia página para complementar as notícias do dia anterior, quando ocupou três páginas, para falar sobre o Porto de Santos. Muita informação fundamentada e correta mas, também, muitas inverdades inseridas de entremeio, para confundir e formar a opinião do leitor, de acordo com os interesses, legítimos ou não, de alguns grupos).

Vamos ao texto:

“O fato concreto é que só foi quebrado o monopólio da escalação – hoje sob a responsabilidade de OGMO -, mas não o monopólio sobre o número de trabalhadores que devem ser indicados para os respectivos serviços. Este, que os empresários continuam a achar excessivo, está garantido nos dissídios coletivos acertados com cada um dos nove sindicatos”.

Passemos à nossa análise do pequeno texto, acima:

O jornal noticia que o monopólio sobre a escalação dos trabalhadores sindicalizados passou das mãos dos sindicatos, para as  do Órgão Gestor de Mão de Obra. Ou seja, a escalação dos trabalhadores deixou de ser feita pelo seu organismo representativo para ser monopolizada por um organismo atípico, criado pela Lei dos Portos e comandado quase que unicamente pelo capital. Até aqui, a verdade.

Continua o texto, afirmando que: não foi quebrado o “monopólio sobre o número de trabalhadores que devem ser indicados para os respectivos serviços”.

Fazendo crer, à primeira vista, que é uma imposição indiscutível, pois é um monopólio, segundo a notícia.

Conclusão do texto: “Este, que os empresários continuam a achar excessivo, está garantido nos dissídios coletivos acertados com cada um dos nove sindicatos”.

Ora, pois, se está garantido nos dissídios coletivos acertados com os sindicatos, não é um monopólio; é o resultado de um acordo entre partes (capital e trabalho).

 

Bem, estas são as nossas conclusões, a análise deve ser sua, leitor.

 

As eleições aí estão e é de suma importância aprender a ler, ouvir e a dissecar o conteúdo.

Carlos Gama.

18 de janeiro de 2002 - 21:12 h