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Alerta
Senhor Presidente da República, se não sabemos, ao menos tentamos imaginar o que seja vir das bases mais humildes da sociedade, e chegar ao posto mais alto da Federação, lutando para governá-la com justiça, dentro dos preceitos da democracia.
Em
qualquer nível de poder, o que pulula à volta daquele que o ocupa, em
sua grande maioria, são aproveitadores de primeira ou última hora. Porém,
quando o posto que se ocupa é o mais alto posto governativo de uma nação,
o exercício desse poder é uma verdadeira arte de sobrevivência (como
um ser humano qualquer, que tivesse sido jogado em um fosso onde, entre
seres peçonhentos, também proliferassem crocodilos e piranhas, tendo
como única arma a sua capacidade de esquiva).
A arte de governar é o exercício de agradar a todos os interesses sem, contudo transigir nas obrigações funcionais e tampouco afrontar os interesses do estado.
Nessa maestria de atender a todos os interesses políticos, há que se contemplar os “de casa” e os apoiadores externos mas, infelizmente, nem sempre o maior risco reside naqueles menos próximos, pois são os “de casa” que, muitas vezes atropelam a confiança neles depositada.
Seu
governo apenas começa, mas começa bem, com intenções e metas
definidas, tentando resgatar o social, e combater as mazelas maiores que
assombram toda a comunidade.
Um
velho hábito político brasileiro, porém, precisa ser abandonado
urgentemente e, sem quaisquer questionamentos: o inchamento dos
organismos públicos – de administração direta ou indireta – pelo
favorecimento aos correligionários de interesse. Há que se ter em
conta, principalmente, que a imensa parcela de seus eleitores é
composta por gente do povo (seus verdadeiros correligionários!), que mais não quer que as condições mínimas
de sobrevivência: saúde, cultura e uma segurança que lhe permita
sonhar o seu futuro.
Inúmeros
são os exemplos onde já está sendo posta em prática a “inchação”
dos quadros funcionais, com nomeações excessivas e desnecessárias,
deixando de lado os profissionais de quadro de carreira, na maioria das
vezes mais capacitados que os “cabideiros” que estão ocupando, em
alguns órgãos, a totalidade das funções gratificadas(DAS). Fato que,
além de onerar os cofres públicos, desestimula o funcionário que se
empenha em uma trajetória funcional, na expectativa natural de receber
as promoções, que a dedicação e o direito lhe conferem.
A
atual posição do Partido dos Trabalhadores é a de “vidraça”, uma
vidraça de cristal que – especialmente nesse momento histórico - não
se pode permitir seja estilhaçada pela dissonância de alguma nota mais
estridente ou, pior, por pedradas certeiras e corretamente dirigidas.
A superfície cristalina é extremamente delicada, e há que se cuidar para que o uso incorreto de certos materiais, não venha a macular, irremediavelmente a sua limpidez.
Carlos
Gama.
www.suacara.com
31 de março de 2003 – 18:00 hs
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