A serra do rola-moça

 

 Mário de Andrade




A Serra do Rola-Moça


Não tinha esse nome não...


Eles eram do outro lado,


vieram na vila casar.


E atravessaram a serra,


o noivo com a noiva dele


cada qual no seu cavalo.


Antes que chegasse a noite


se lembraram de voltar.


Disseram adeus pra todos


e se puserem de novo


pelos atalhos da serra


cada qual no seu cavalo.


Os dois estavam felizes,


na altura tudo era paz.


Pelos caminhos estreitos


ele na frente, ela atrás.


E riam. Como eles riam!


Riam até sem razão.


A Serra do Rola-Moça


não tinha esse nome não.


As tribos rubras da tarde


rapidamente fugiam


e apressadas se escondiam


lá embaixo nos socavões...


Temendo a noite que vinha.


Porém os dois continuavam


cada qual no seu cavalo,


e riam. Como eles riam!


E os risos também casavam


com as risadas dos cascalhos,


que pulando levianinhos


Da vereda se soltavam,


Buscando o despenhadeiro.


Ali, Fortuna inviolável!


O casco pisara em falso.


Dão noiva e cavalo um salto


precipitados no abismo.


Nem o baque se escutou.


Faz um silêncio de morte,


na altura tudo era paz ...


Chicoteado o seu cavalo,


no vão do despenhadeiro


o noivo se despenhou.


E a Serra do Rola-Moça


Rola-Moça se chamou.

 

 

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Texto colhido no Jornal de Poesia

 

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Declamação: Carlos Delphim Nogueira da Gama Neto.

 
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 www.nossacasa.us

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Este trabalho é, antes de tudo, uma homenagem ao povo das Minas Gerais, na pessoa de meu amigo Marcos Garcia Jansen, filho da terra.

O Parque do Rola Moça fica no Estado de Minas Gerais, e sua área (aproximadamente 4.000 ha) abrange terras do Município de Belo Horizonte e de municípios vizinhos.

Conheça um pouco mais sobre essa reserva florestal em:

http://www.ief.mg.gov.br/parques/rolamoca/rolamoca.htm

 

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