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A Irmã Além
dos pais, ainda vivos, o Magrão tem duas irmãs. Uma delas, casada,
trabalha em um movimentado shopping; a outra, ainda solteira, trabalha
em um hospital. A irmã casada é cheia de truques, espertezas e dona de
um jogo de cintura que muito se assemelha ao do irmão. A solteira, ao
contrário, leva tudo a sério e, por agir assim, acaba sendo agressiva
quando as coisas fogem do ritmo com o qual se afina. Não
faz muito, ouvi dela a seguinte história, sobre a manhã de trabalho
daquele dia: Chega
à recepção uma senhora, muito mal educada, que vai jogando a sua
carteirinha, do plano de saúde, sobre o balcão e pedindo o resultado
de um exame que havia feito. Eu perguntei a ela que tipo de exame. -Quem
tem que saber é você! Não tem aí, o meu cadastro, no computador? -Tem,
sim senhora! Mas eu preciso saber que tipo de exame é. Pode ser um
exame de laboratório, ou algum exame específico, feito em clinica
particular, para cada tipo de exame, o local de procura é diverso. Pode
ser uma tomografia ou um simples raiox. -Foi
um exame da cabeça. -O
único exame que encontro por aqui, é um exame de laboratório! -Você
acha que estou ficando louca? Fiz um exame da cabeça e isso não é
exame de laboratório. -Mas,
senhora, o único exame que consta é um exame de laboratório. -Sei
lá! Descobrir isso é problema seu. Eu quero o meu exame ou vou
reclamar na administração. -Realmente,
o encontrar o exame é problema meu, mas a senhora precisa me ajudar com
as informações mínimas e necessárias. -Vire-se,
minha filha! Eu
estava a ponto de dar uma bolacha nela, e a velhota, ao invés de dar um
tempo, foi ficando cada vez mais exaltada e eu estava vendo a hora que o
restante do pessoal, incentivado, também iria começar a reclamar de
qualquer coisa. Para minha sorte a chefe da seção convidou a senhora
para entrar em nosso local de trabalho e esperar, ali, pelo resultado do
exame. Foi bom, porque eu já não suportava mais ouvi-la reclamando em
altos brados. Ela ficou quietinha mas, atrás de mim como um cão de
guarda. Pouco
tempo depois a minha chefe confirma a existência de, unicamente, o
resultado de um exame de fezes e comunica o resultado da busca à
“enfezada” senhora. -Ah,
isso mesmo! Era um exame de fezes; eu me enganei – E foi logo
estendendo a mão para apanhar o papel. -Um
momento! Disse eu. A senhora faça o favor de retirar o exame, pelo
outro lado do guichê, na sala de espera – Como eu fui incisiva e
taxativa, ela nem titubeou; foi saindo em direção ao saguão apinhado
de gente. A maioria deles havia assistido ao escândalo que ela fizera e
ouvido a afirmativa de que era um exame da cabeça. Deixei
passar um tempinho, para que ela ficasse mais impaciente e chamei-a,
pelo nome, em altos brados e, enquanto ela se aproximava eu fui
antecipando o discurso: -Acredito que tenha se enganado! O exame que a senhora disse com insistência ser da cabeça é, na verdade, um exame de fezes.
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| Carlos Gama. "www.suacara.com" |
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26 de julho de 2002 – 01,25 h
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