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A
Imprensa e a Bicicreta
Li, anteontem, uma entrevista
com Heinz Von Achlochstrecher (prêmio Nobel de psiquiatria),
onde ele dizia: “encontro os jornais brasileiros ou melhor,
seus chefes de redação, acometidos de uma moléstia mental
coletiva que beira a obsessão. Tudo, absolutamente tudo, para
eles, é culpa do presidente do país”.
Ele questiona os jornalistas a
respeito da credibilidade da imprensa brasileira e pergunta se
eles não têm medo de perder completamente o que lhes resta de
credibilidade.
A imprensa – respondo, aqui
– nada mais é do que um processo empresarial, uma atividade
comercial, que milita a favor de quem lhes sustenta
economicamente e cuja atividade principal é dar rumo pré-definido
aos “fatos” que transmite à massa.
Entretanto, para que ela possa
exercer efetiva e eficientemente o seu papel é necessária a
aceitação plena, por parte do leitor, do ouvinte ou do
telespectador e, para que haja essa aceitação, o noticiário
tem de ir ao encontro dos anseios, das expectativas e do nível
intelectual desse consumidor de informações.
Enquanto eu faço estas análises,
enveredo pelo caminho da digressão e encontro nos desvãos da
memória (uma memória desgastada, antiga) os fragmentos de uma
história real, também antiga:
O meninote era inteligente, um
tanto culto e cursava uma das melhores escolas públicas de
Santos (Isso mesmo, naquele tempo as escolas públicas podiam
ser iguais e, até melhores que as mais “badaladas” escolas
particulares), mas a família precisou se mudar para a zona
rural de uma cidadezinha do interior e esta mudança levou-o a
uma outra escola, de um outro nível.
Nas férias, quando voltou à
terra natal, para rever amigos e familiares, percebeu-se que ele
não mudara nada, exceto na sua forma de se expressar. Adquirira
um sotaque diferente e o pessoal também percebeu que ele falava
“bicicreta” ao invés de bicicleta.
Questionado a respeito, ele
explicou que não podia continuar usando a expressão correta,
para não ser posto de “escanteio”, pelos novos amigos e
colegas de escola. Por necessidade de “sobrevivência” ele
passou a falar o “idioma” do meio onde convivia.
Aí resta a dúvida: a imprensa
é mesmo burra ou será a necessidade que a faz assim?
Carlos Gama.
02/08/2007 16:49:20
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