A Hipocrisia e os Buracos do Tatu

 

Advogados militam insistentemente contra o instituto da pena de morte (será por que a maioria dos criminosos é reincidente?).

 

As Igrejas defendem a vida com veemência (defendem a vida daqueles que a tiram), sob a alegação de que o homem (a sociedade) não tem direito sobre a vida. E as vítimas, não têm direito a ela? Um homicida contumaz ceifa ( há muitos exemplos assim) dezenas de vidas e estão “preocupados” com a vida dele?  Pura farsa!

 

Algumas dessas mesmas igrejas “defendem” intransigentemente a vida. Ou melhor, defendem a irresponsabilidade de geração da vida, sem que os autores (meros animais – com o devido respeito aos chamados de irracionais - reprodutores) tenham condições mínimas para mantê-la com dignidade e consciência. Defendem-na, até na condenação do uso de contraceptivos comuns, como a camisinha. Essas mesmas vidas, em sua maioria, depois de geradas, são deixadas ao léu, crescendo para o desenvolvimento na senda da marginalidade e para o crime, sem que seus defensores se esforcem verdadeiramente, para mantê-las sobrevivendo dentro dos preceitos mínimos de dignidade humana.

 

Homens das leis se omitem ou execram a pena de morte, muitas vezes por temerem a própria consciência, que poderá quiçá despertar algum dia. Temem-na pela certeza que têm sobre a inexistência de justiça na própria sociedade, nas leis e no cerne do sistema instituído.

 

A esfarrapada desculpa de que não se pode, sem agredir a formação do futuro adulto, colocar nas mesmas jaulas os adolescentes infratores (criminosos) e os marginais mais velhos, é mera figura de retórica, porque os menores (desde a mais tenra idade permitida) estão confinados em gaiolas que abrigam perigosos criminosos reincidentes que, pela norma já atingiram a maioridade. Esses menores (autores de infrações mais leves) estão apenas cursando pós-graduação sob a batuta de doutos criminosos. E quem deveria ver isso, fecha os olhos e cala a consciência (se é que existe!), por quais razões?

 

Rebeliões em estabelecimentos prisionais, justificadas ou não (a maioria), deixam de ser coibidas de forma correta e inequívoca, porque existe por detrás delas toda uma poderosa indústria da reconstrução e do reaparelhamento, que sustenta convenientemente o silêncio de quem não poderia calar.

 

Assim como a "indústria da rebelião", também existe o sustentáculo financeiro que mantém viva a criminalização do jogo “clandestino” e do tráfico de drogas, mantendo de fora desta condição o Estado (como mantenedor da jogatina instituída) e o uso das substâncias tóxicas (único responsável direto pelo tráfico e pela corrupção daí advinda).

 

A pena de morte e a redução da maioridade penal são temas abordados sempre pelo lado da negação, porque todos os responsáveis pelo atual modelo não querem envolvimento na execução de um criminoso que poderia não sê-lo, se o modelo arcaico já tivesse sido substituído ou, no mínimo, reavaliado, pois o sistema carcerário brasileiro é um mero “varrer da sujeira para debaixo do tapete”.

 

É a covardia - atuando em lugar do senso de responsabilidade – quem mantém acuada a sociedade omissa e conivente.

 

Concluindo: cada qual puxa a brasa para a própria sardinha, qualquer que seja ela, mas a insegurança, o medo e a violência crescentes levarão, forçosamente à discussão aberta e honesta desses temas contundentes.

 

Não adianta querer bancar o tatu em buraco raso...a menos que se aprecie o resultado!

 

Carlos Gama. www.suacara.com

14 de novembro de 2003 – 10:15 hs

 

 

 

 

 

 

Lembre-se que eu aguardo a sua visita ao próximo Toque.

 

 

 

 

 

 

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