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A Farsa e a Pobreza Lá vem mais demagogia inútil, perniciosa e enganadora. Agora, o assunto é a defesa legal contra a discriminação à homossexualidade. Não faltava mais nada! O exercício da atividade política como carreira profissional acaba, sempre, por esse mesmo caminho: a demagogia irresponsável e inútil, como fator de garantia de votos dos grupos que se iludem, pensando que estão sendo legitimamente representados, quando na verdade o que os seus pseudo-representantes buscam, é a própria perpetuação no poder. O que os marginalizados não percebem, é que o fator mais importante nessa possível marginalização é a sua condição social e financeira. Alguém se lembra de reclamações por conta de os "papas" da alta costura terem sido discriminados? (Depois da fama, naturalmente!) Até aqueles que se intitulam representantes da Divindade chutam o cachorro que adentra o templo, onde fazem as suas pregações mas, quem há de falar mal das festas, dos ouros, ou reclamar das lambeções importunas do cãozinho de madame? Aquele moleque, que intermedeia o tráfico de substâncias entorpecentes, para bancar o sustento do próprio vício, é olhado com olhos odientos. Torce-se para que a polícia o aborde e ele reaja, para ser morto e nos livrar de tão perniciosa companhia. Em contrapartida, alguém conhece alguma história de discriminação contra aquele figurão da alta sociedade, que desfila em carro importado e em escola de samba, no carnaval? Ninguém, naturalmente! Mas ele é o chefão daquele mesmo moleque que queremos ver morto pela polícia. Sabe o que é isso? É o resultado da nossa falsa moralidade, de nosso caráter de papel, de nossa indiferença e de todas as nossas máscaras; fantasias que vestimos durante a vida em sociedade, fingindo não ver que a pobreza é a maior responsável por tudo aquilo de mal que nos acontece. Viva a farsa! Carlos
Gama.
www.suacara.com 21 de fevereiro de 2003 – 19:46 hs
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