A Boiada Aconteceu no Banco Português do Brasil, Agência de S.Vicente, lá pelos idos de setenta e dois ou três. O chefe dos caixas, ao perceber que estava tudo a postos, diz ao Cícero (arremedando a mãe deste): deixe entrar a boiada, Ciço, meu fio! O cabra, acostumado com as brincadeiras do Magrão, nem se importava com a “mangação” mas, neste dia a coisa deu um bode! Havia uma fila de pessoas esperando pela abertura do banco e uma delas, ouvindo as ordens do brincalhão, alardeou para todo o pessoal. Uma mulher - daquelas que canta canção de ninar ao neném que está em outro município, sem usar de telefone ou alto-falante – diz às outras mulheres da fila: Se ele disse que somos uma boiada, quis chamar a gente de vaca. Aí, o alvoroço, na fila, era já incontrolável. Mas, ela, insatisfeita, dirige-se aos homens e alerta: Ninguém vai tomar satisfação? Afinal, no meio da boiada só tem chifre e, quem não é vaca é corno! A turba, (naquele momento era uma turba e não um grupo de clientes) tomada de tal fúria, se amontoou na entrada e queria invadir, sem mesmo esperar pela abertura da porta. O Magrão, a esta altura, já havia pensado em todas as possibilidades mas, nem saída, pelos fundos, havia. Ordem para abrir, ele não dava: agüenta, Ciço, que eu estou pensando. Com isso, a hora vai passando e chega o gerente. Insiste com o guarda mas este se nega a obedecer. Por fim, sob a ameaça de perder o emprego, ele obedece ao chefe maior e antes que este entre, a horda invade o recinto. Não fosse a presença da radiopatrulha, o artista teria sido linchado. Foi forçado, além de tudo, a se desculpar com todos e explicar que tivera, apenas, a intenção de brincar e, jamais ofender ninguém. O Magrão livrou-se da forca, mas isto lhe valeu a primeira das advertências, por escrito.
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| Carlos Gama. "www.suacara.com"
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25
de março de 2002 – 15:08 h |
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