A  ALCA   téia e os cordeiros

 

Na semana da pátria vai estar acontecendo um plebiscito nacional, não oficial,  para saber a opinião do povo brasileiro a respeito da entrada ou não do país nessa entidade, que nos parece uma arapuca bem armada.

A ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) é uma proposta dos Estados Unidos para a criação de um mercado livre entre os países das Américas excetuando-se, naturalmente, Cuba, a espinha que lhes fere o orgulho de dominadores e que eles suportam, atravessada na garganta.

O ponto mais marcante entre a ALCA e o MERCADO COMUM EUROPEU é a dessemelhança.

Enquanto na Europa a união visa ao fortalecimento econômico de seus membros, através da ajuda mútua, nas Américas a proposta norte americana  é de afastar os obstáculos ao livre comércio e permitir a competitividade sem barreiras.

Adivinhem!

Que se danem os mais pobres!

Que fiquem mais encalacrados, é o que eles querem. Os exemplos da Argentina e do Uruguai aí estão, para nos alertar.

No atual momento, despudoradamente, os EUA já subsidiam a maioria de seus produtos de exportação e criam empecilhos à entrada dos produtos concorrentes. Só não agem desta forma, quando existe interesse direto na compra de matéria-prima cuja elaboração lhes permitirá auferir lucros maiores sobre o seu resultado final, como ocorre com os produtos de origem agrícola e mineral.

A decisão de participar ou não desse mercado “livre” cabe a cada um dos participantes, ao menos em tese. É muito importante que cada brasileiro dê a sua opinião, e com isso, possa forçar  uma decisão que venha ao encontro dos interesses da nação.

Não podemos ficar eternamente à mercê das pressões do FMI que, coincidente, tem a sua sede em Washington.

Falando claro: esta proposta de criação da ALCA objetiva, apenas, colocar os lobos a cuidarem dos cordeiros.

Em termos econômicos, a situação do parque industrial brasileiro já é de fazer dó! O país vem tendo a sua indústria sucateada pela entrada indiscriminada de produtos de baixa qualidade, fabricados nos países asiáticos e aqui vendidos a preços vis.  As empresas brasileiras, que sofrem essa desleal concorrência, acabam por não poder modernizar o seu maquinário e ficam impedidas de desenvolver melhores condições de produção e aprimoramento da qualidade dos produtos aqui fabricados; o que nos deixa, cada vez mais à mercê da concorrência de quaisquer produtos de fabricação estrangeira.

Os mentores da ALCA, ao contrário, aumentam sempre que necessário o protecionismo aos seus produtos, como fizeram recentemente com o subsídio ao aço e com as fartas concessões de crédito à sua agricultura.

Até quando nos satisfaremos em sustentar o aumento das sanguessugas à custa do crescimento de nossa miséria?

Como diria o gaguinho:

- Com essa nossa co...co...consciência e espi...pi...pírito de cida...da...dania, estamos propensos,  sempre, a "ci...da...danarmos".

Carlos Gama. www.suacara.com

14 de agosto de 2002 – 23,57 h

 

 

 

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