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Eu não sei o que está acontecendo com os meus amigos e
contemporâneos. O pessoal está tirando o time de campo,
muito cedo.
Nestes últimos meses, saíram de campo: o Ronaldo, o
Garritano, o Manequinho (este foi por acidente) e...agora
já tenho até as minhas dúvidas mas, tem mais gente
nesse time!
Ontem à noite, foi a maior loucura no andar de cima! Eu
estivera, até às tantas, olhando a lua cheia,
redondinha, em festa, desde a véspera; provavelmente, em
homenagem às mulheres e nada prenunciava qualquer mudança.
Mas, alguns minutos depois que eu comecei a escrever, um
trovão fortíssimo, outro e mais outro, fizeram com que
eu desligasse o computador e ela logo veio, forte e
gostosa: a chuva.
Ah! Agora já sei o que houve. Ocorreu-me neste preciso
momento, enquanto escrevo. Aquela barulheira toda,
parecendo um arrastar de móveis, água caindo como se
estivessem lavando o céu. Estavam preparando o ambiente
para a “batucada”.
A chuva contínua dava a impressão que hoje não ia haver
jogo de tamboréu (a nossa paixão das manhãs, em finais
de semana). Contrariando as perspectivas, amanheceu um dia
seco, o céu nublado e sem resquícios quaisquer de sol.
Devagarzinho, bem de mansinho, ele foi se insinuando, por
fim, botou a cara na janela e veio aquecer o nosso dia.
Manhã gostosa! Nunca, as oportunidades são tão boas,
como estes momentos para, além das brincadeiras com os
amigos, prosear com o meu filho, parceiro insubstituível
de boas conversas e sofríveis partidas. Sofríveis,
claro! Afinal, não é fácil jogar e, ainda, carregar o
pai nas costas.
O pessoal, hoje, estava meio chocho. Mesmo os mais
“fominhas” jogaram pouco. O Bira, jogou só uma e deu
para entender. Namorada nova...coroa, como ele(até um
pouquinho mais) mas, nova no pedaço; ali no peito dele.
Ela passou por perto das quadras e ele saiu de fininho;
foi no aroma da gata!
Tudo isto, para dizer que a festa acabou cedo. Onze horas
e já estávamos em casa. E eu, para variar, do chuveiro
para o “compu”. Nem bem começo a “ticar”(ticar é
do dicionário de meu neto) e lá vem minha filha Cyomara
para avisar que haviam telefonado para participar mais um
abandono de campo.
Desta vez, foi o “Fofinho”. Partiu da maneira que mais
me alegra: infarto fulminante!
Vocês estão estranhando a minha expressão “alegra”?
Não se assustem; não sou louco não. Bem...Acho que não
sou.
Porém, eu fico feliz quando algum amigo se muda daqui,
sem sofrimentos.
Lá no velório, o filho mais velho, o Júnior, comentava
comigo e com meu filho (seu amigo de infância), a
tristeza dele ao entrar no apartamento do pai e encontrar,
junto à cama, o violão, bem cuidado, com todo o carinho,
como se fosse uma “relíquia” - disse ele.
-Sem falsas modéstias, dava gosto ouvir meu pai tocar e
cantar, não?
-É!
Júnior; pelo jeito, hoje vai ter batucada no andar de
cima.
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