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Quem
é Quem?
Eu sou o Mané que labuta, insiste inutilmente e ainda acredita
na validade da luta pelo direito. Houve época em que eu me
sentia um cidadão nesse quadro, mas hoje eu me sinto cada vez
mais um Zé Ninguém teimoso, um burro xucro empacado,
que insiste em não ver a realidade que nos cerca e que nos
cerceia.
Anteontem, eu fui até o escritório do Ministério
Público Estadual, na esperança que esse fosse o caminho
certo para chegar a uma sentença judicial, que obrigasse a
NET a descontar automaticamente os valores relativos a períodos
de inatividade, das contas cobradas dos usuários de seus serviços.
Mas, infelizmente - segundo me foi explicado, lá - falta legitimidade
ao MP para representar o interesse do cidadão nesta questão.
Uma lástima!
O fato, para mim, é claro e incontestável, pois a empresa
mantém um serviço de "call center", que atende
todas as ligações dirigidas a ela e, de pronto, uma
voz gravada informa ter verificado que, o número de origem
da chamada consta dos arquivos da NET, que existem problemas na região
afetando a conexão (sem conexão seria o termo correto
e honesto) com a internet e qual é a previsão de retorno
à normalidade. Ora, se a empresa tem (nada mais que obrigação
e resultado da modernidade dos sistemas) controle dos pontos onde
há problema com os serviços, qual o período de
inatividade deles e quem são seus usuários, estaria
agindo de conformidade com o CDC se promovesse o abatimento automático
dos valores cobrados indevidamente (não se pode cobrar por
um serviço não fornecido). Entretanto, não é
isto o que efetivamente ocorre, porque o drible passou a ser uma das
regras imutáveis nas atividades sob concessão pública,
especialmente por contar com a leniência ou com o silêncio
interesseiro de quem faz essas concessões. Nesse quadro, o
personagem que deveria ser o de primeiro plano - o consumidor - é
quem tem de fazer o papel de fiscal, anotador dos horários
de desserviço e se pendurar ao telefone (em geral, de quinze
a vinte minutos por vez) na tentativa de conseguir a redução
de pagamento pelos horários em que não pôde gozar
do serviço específico. Nem todo mundo tem tempo ou prioriza
o direito, em detrimento de suas necessidades ou da lógica
econômica. Com isto, esse tipo de empresa se locupleta indevidamente,
porque é um ou outro, dentre dezenas de milhares, só
nesta região, que irá cobrar o que é seu direito.
Vamos ver os personagens desta história da carrocinha?
O Zé Ninguém sou eu, o MP é o ilegítimo
na questão, a NET é quem dá o drible, mas existe
o Judiciário, ainda. Qual será o caminho para chegar
até ele, a fim de compor o quadro e poder determinar o fim
desta cachorrada?
Santos, 05 de junho de 2009.
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